-Como é que a gente faz para jogar fora o que está preso?
-Não sei. Já pensou em limpar o armário?
-Fiz isso da última vez. Mas agora é diferente, sabe?
-Não. Nunca fui capaz de entender. Pode me explicar, por favor?
-Vou tentar. Será que isso vai me ajudar a entender?
-Já pensou em experimentar?
-Não gosto da quantidade de interrogações neste diálogo.
-Também não gosto. Esperava que você tivesse aprendido a pontuar as dúvidas, depois de tudo.
-Ainda não aprendi! Sabe, sou leiga nesses assuntos do coração. Estou fora desse departamento.
-Então assume essa incompetência?
-Que absurdo! Despejo meus problemas e só o que recebo são críticas. Pensei que sua função fosse me tranquilizar.
-Sou sua consciência, não seu calmante. Aliás, você tomou quantos noite retrasada?
-Nenhum. Desmaiei por puro cansaço! Sabe quando você adormece por desistir de tentar achar o fim de um círculo?
-Sei. Mas você pode sempre transformá-lo num quadrado, não pode? E qual o porquê de tudo isso?
-"Porque nem sempre".
-Nem sempre o quê?
-Não sei.
-Bem, esqueça. Você estava prestes a me esclarecer algo.
-É verdade. Ah, da outra vez tudo era uma bagunça aqui fora. Tinha tanta coisa acumulada que eu mal conseguia enxergar direito! Como se uma greve de lixeiros tivesse deixado todo esse lixo acumulado na minha calçada. A luz deformava e a cor enganava... Mas agora eu sei o que eu quero enxergar. Abri as janelas, já consigo respirar de novo.
-E dessa vez, qual é o problema?
-Agora está tudo errado aqui dentro. É o pior dos dilemas! Pior que se entrevar. Mas não dá pra organizar as coisas do lado de dentro, dá?
-Talvez. Num processo cirúrgico. Talvez um médico possa curar você.
-De que forma? Expurgar um câncer?
-É. Rasgar teu corpo pra costurar teu coração.
-E qual o meu diagnóstico?
-O mesmo de sempre, boba. Você é uma viciada.
-Em culpa, em dor ou no inalcançável?
-Entre outras coisas mais.
-Que outras coisas? Odeio esse mistério. Não quero essa angústia que faz de mim uma exaltada. Isso faz os batimentos cardíacos gemerem, falharem em sua arquitetura. Eu preciso entender! Quero entender!
-Toda essa preocupação em entender quando esse é o menor dos problemas. Já diria Clarice, "viver utrapasssa o entendimento".
-Isso parece clichê. Não somos clichê. Somos a doença perfeita.
-O mundo é clichê. O que você acha? Que tudo isso é exclusividade da sua cabeça? Não se sinta importante assim. As histórias se repetem, o tempo inteiro. Os dramas são os mesmos. Abismais.
-Dramas são para casais. Nós, não. Nós não somos nada.
-E também são muita coisa.
-É. Somos.
Pausa.
-Acho que é hora de ir.
-Você já vai? Olhou no relógio e se deu conta, ou alguém lhe disse isso?
-Não adianta mais ficar aqui. Você disse que não adiantaria tentar entender, não disse?
-De fato. Ainda assim, você não devia ir. Está tornando-se mais e mais fugidia.
-O que me prenderia aqui, então?
-Será que eu preciso explicar tudo? Você não tem que procurar entender, menina. O que você precisa fazer é decidir.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
''Dou-te mais uma vez.''
Certas coisas são tão nítidas que é de se lamentar o quanto demoramos pra entender. E ainda deve existir muito a ser decodificado por aqui. Nascemos completos o suficiente para nos bastarmos, mas não inteiros a ponto de nos limitarmos. Toda vez que negamos algo que em nosso interior desejamos, uma porção do porvir nos é roubado. Então entendi que talvez minha vida não seja caótica. Talvez o mundo seja caótico e a ruína dentro de mim seja meu íntimo implorando por um pedaço de sanidade.
Ao mesmo tempo, pensamentos opostos ladeiam-se tantas e tantas vezes. Extremos, dançam como pêndulos. E alternam-se como posições de um carrossel. Todas as minhas preces são destinadas para um mesmo propósito: que os anos não varram minhas lembranças e eu não pense onde estaríamos se tivesse pego sua mão. Porque se a certeza fere, a dúvida alucina.
Sou grata por encontrar depois das minhas pernas dois pés que me alicerçam ao chão, quase cimentados. Não me impedem de sonhar, mas minimizam o penar. Sei que essa coisa de ser ser humano é sofrida, mas não pretendo padecer tão cedo.
Presa no abismo entre sentir e pensar, não existe escolha certa. Talvez tenha procurado essa linha de fogo. Talvez a tenha atraído como um ímã. Partiremos do concreto rumo ao incerto. O que atormenta. Mas tudo bem, isso de tirar a paz sempre me interessou. Enterrei alguns medos e abri mão dos meus temores; não é assim que ensinaram que a gente tinha que fazer pra ser feliz?
Quero me adaptar como um camaleão a tudo aquilo que meu coração clamar.
Ao mesmo tempo, pensamentos opostos ladeiam-se tantas e tantas vezes. Extremos, dançam como pêndulos. E alternam-se como posições de um carrossel. Todas as minhas preces são destinadas para um mesmo propósito: que os anos não varram minhas lembranças e eu não pense onde estaríamos se tivesse pego sua mão. Porque se a certeza fere, a dúvida alucina.
Sou grata por encontrar depois das minhas pernas dois pés que me alicerçam ao chão, quase cimentados. Não me impedem de sonhar, mas minimizam o penar. Sei que essa coisa de ser ser humano é sofrida, mas não pretendo padecer tão cedo.
Presa no abismo entre sentir e pensar, não existe escolha certa. Talvez tenha procurado essa linha de fogo. Talvez a tenha atraído como um ímã. Partiremos do concreto rumo ao incerto. O que atormenta. Mas tudo bem, isso de tirar a paz sempre me interessou. Enterrei alguns medos e abri mão dos meus temores; não é assim que ensinaram que a gente tinha que fazer pra ser feliz?
Quero me adaptar como um camaleão a tudo aquilo que meu coração clamar.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Acaso
Hoje conheci um velho amigo.
Não, não existe nenhum erro na frase acima. Foi exatamente o que quis dizer. Talvez a interpretação demore a vir corretamente, então dê-me a chance de esclarecer meus pensamentos; tenho essa mania de falar – ou melhor, escrever – como se o que estivesse cravado em meu íntimo fosse também exposto para os demais. Na verdade, o reconheci. Raras são as ocasiões em que as pessoas relacionam-se com outras, de carne, osso e coração – normalmente, interagimos com projeções, produtos perfeitos de nossa imaginação fantasiosa. Dessa forma, evoluímos um quadro de afeição para amor em segundos; certo alguém é tão alegre, vivo e espirituoso! Parece absurdo que tenha demorado tanto para encontra-lo. Alguém tão milimetricamente desenvolvido para mim. Com todas minhas mínimas exigências e desejos atendidos. Até as imperfeições feitas sob medida; a risada rouca e o humor ácido. Aquilo que vai me tirar do sério e trazer a loucura necessária – o descanso do perfeito. Todos precisamos de alguém para nos enlouquecer. Esqueça o sexo, a língua e a tradição - só duas coisas nesse mundo são capazes de nos igualar: o amor e a loucura. O que é quase um pleonasmo.
Voltamos a minha mais recente descoberta. Meu querido desconhecido. De longa data.
Tenho essa estranha mania, quase uma síndrome, de explicar-me para estranhos. Bem, talvez nem tanto, talvez – num mundo no qual as coisas façam sentido e eu não seja apenas mais uma alma atormentada que sente saudade sabe-se lá do quê e lancha aspirina – eu apenas soubesse que ele não era apenas um qualquer que eu conheci num café, mesmo que fosse. Droga, isso soa brega. Pulando o momento constrangedor no qual confundo um simples encontro casual com algum evento cósmico e sobrenatural (ou pior ainda, uma ocasião escrita por alguma entidade espiritual – isso porque não consigo ser mesquinha o suficiente para acreditar que Deus estivesse desperdiçando seus divinos segundos preciosos com minhas besteiras mundanas), o fato é que em um momento estava perguntando se aquele era um livro de Anne Rice e no momento seguinte estávamos discutindo sobre as concepções do mundo moderno. E aquilo parecia fantasticamente certo. Como deve parecer.
Talvez devesse ser assim. A sutil diferença de ler uma coisa nos livros, vê-la nos filmes e de fato vivenciá-la. Refiro-me à inconsistência – não aquela que simula a admiração, mas aquela que avassala o sentir. Não quero uma alusão à ilusão dos que acreditam em momentos e corações destinados, mas vai um aviso aos desencontrados: o que tem que surgir, surge.
Não, não existe nenhum erro na frase acima. Foi exatamente o que quis dizer. Talvez a interpretação demore a vir corretamente, então dê-me a chance de esclarecer meus pensamentos; tenho essa mania de falar – ou melhor, escrever – como se o que estivesse cravado em meu íntimo fosse também exposto para os demais. Na verdade, o reconheci. Raras são as ocasiões em que as pessoas relacionam-se com outras, de carne, osso e coração – normalmente, interagimos com projeções, produtos perfeitos de nossa imaginação fantasiosa. Dessa forma, evoluímos um quadro de afeição para amor em segundos; certo alguém é tão alegre, vivo e espirituoso! Parece absurdo que tenha demorado tanto para encontra-lo. Alguém tão milimetricamente desenvolvido para mim. Com todas minhas mínimas exigências e desejos atendidos. Até as imperfeições feitas sob medida; a risada rouca e o humor ácido. Aquilo que vai me tirar do sério e trazer a loucura necessária – o descanso do perfeito. Todos precisamos de alguém para nos enlouquecer. Esqueça o sexo, a língua e a tradição - só duas coisas nesse mundo são capazes de nos igualar: o amor e a loucura. O que é quase um pleonasmo.
Voltamos a minha mais recente descoberta. Meu querido desconhecido. De longa data.
Tenho essa estranha mania, quase uma síndrome, de explicar-me para estranhos. Bem, talvez nem tanto, talvez – num mundo no qual as coisas façam sentido e eu não seja apenas mais uma alma atormentada que sente saudade sabe-se lá do quê e lancha aspirina – eu apenas soubesse que ele não era apenas um qualquer que eu conheci num café, mesmo que fosse. Droga, isso soa brega. Pulando o momento constrangedor no qual confundo um simples encontro casual com algum evento cósmico e sobrenatural (ou pior ainda, uma ocasião escrita por alguma entidade espiritual – isso porque não consigo ser mesquinha o suficiente para acreditar que Deus estivesse desperdiçando seus divinos segundos preciosos com minhas besteiras mundanas), o fato é que em um momento estava perguntando se aquele era um livro de Anne Rice e no momento seguinte estávamos discutindo sobre as concepções do mundo moderno. E aquilo parecia fantasticamente certo. Como deve parecer.
Talvez devesse ser assim. A sutil diferença de ler uma coisa nos livros, vê-la nos filmes e de fato vivenciá-la. Refiro-me à inconsistência – não aquela que simula a admiração, mas aquela que avassala o sentir. Não quero uma alusão à ilusão dos que acreditam em momentos e corações destinados, mas vai um aviso aos desencontrados: o que tem que surgir, surge.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Diamante
Escrevi alguns versos tortos pensando bastar para que você retorne. O peso de algumas palavras não ditas surtia efeito; precisava dizer que sentia falta. Precisava dizer que gostava. O quanto gostava. Das conversas, da paz que me traz, do modo como seu sorriso imobiliza e derrete até os corações mais frígidos. Apenas dizer que te tinha apreço - pode ser por mais um dia, um mês, um ano ou várias vidas. Já sei que me dôo demais e dôo por dentro; aceito o fim só por hoje. Ou partir de hoje. O tormento que me causava sempre foi como apnéia - tira o sossego, a calma e a respiração. Lidei com duas faces: só o tinha em minha ausência e só me achava em sua presença. Sendo assim, chamei-o diamante - cegou-me os olhos e tornou-se foco - fez com que se tornasse belo, nosso, tornou-se assim nosso elo. Diamante que é a pedra mais dura e resistente, e deriva do grego "inconquistável". Era você, fixo em seu pedestal, três andares acima de mim. Hoje vejo que essa suposta superioridade ruiu, como roda-viva. Inteira, vejo com mais clareza. Não foi a recusa do convívio que me trouxe paz; meus valores, mesmo quando colocados contra os seus, se situavam também a partir deles. Não, foi algo a mais. Foi amor próprio. E agora você me chama. Já tracei um novo caminho, vejo a estupidez de retornar alguns passos. Uma vez experimentada, essa liberdade me ganhou... Só não entendo o porquê do só me querer tão só. Posso ser mais minha?
Como disse, "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais."
Como disse, "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais."
sábado, 22 de outubro de 2011
-
Arde, mas não queima.
Você quer sumir, fugir. Desaparecer por uns instantes. Habitar qualquer corpo que não seja o seu. Porque ser você naquele momento dói, e pedir para que continue vivendo parece exigir demais. Você reza para fechar os olhos e calar a mente.
Mas não consegue silenciar o coração; esse grita. Você trava uma batalha instintiva entre o racional e o emocional. Espera uma atitude heróica, mas ao mesmo tempo sabe que ela não virá.
Quer arrancar a pele, desconectar os pensamentos. Quer coisas demais. Nem sabe mais o que quer.
Tenta convencer-se que pode viver muito bem sem aquele amor. Que agora é mais feliz. Que encontrou a sua paz. Internamente, o peito esbraveja o contrário.
Não se engane, meu caro. Isso é ciúme.
Você quer sumir, fugir. Desaparecer por uns instantes. Habitar qualquer corpo que não seja o seu. Porque ser você naquele momento dói, e pedir para que continue vivendo parece exigir demais. Você reza para fechar os olhos e calar a mente.
Mas não consegue silenciar o coração; esse grita. Você trava uma batalha instintiva entre o racional e o emocional. Espera uma atitude heróica, mas ao mesmo tempo sabe que ela não virá.
Quer arrancar a pele, desconectar os pensamentos. Quer coisas demais. Nem sabe mais o que quer.
Tenta convencer-se que pode viver muito bem sem aquele amor. Que agora é mais feliz. Que encontrou a sua paz. Internamente, o peito esbraveja o contrário.
Não se engane, meu caro. Isso é ciúme.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Nesses dias amenos que a gente se sente pequena. Um ponto meio sem rumo, sem direção certa a seguir. Cada vez mais interrogações, cada vez menos tentativas. Não encontro dentro de mim meu complemento, o instrumento adequado para calar as dúvidas. A alma está no corpo como um cárcere; não são mais partes de um quebra-cabeça.
Busco não uma cura, mas um alívio - um pouco de saúde. Ouvir as palavras certas - vindas de qualquer direção - é um descanso. Da mesma forma que a permissividade cultua vícios, a negação e o isolamento nos tornam menos humanos. O silêncio anda é uma forma de comunicação.
Tenho essa necessidade de conhecer cada ínfimo centímetro do outro, talvez na tentativa de me conhecer juntamente. Sou uma deficiente de coração, desconhecedora da minha própria alma. Da mesma forma, acredito que pessoas não estão terminadas como um livro - moldam-se, modificam, ganham novos cheiros e roteiros. Unir alguém e um destino imutável é uma ação extrínseca, até violenta. E quando encontramos quem compreenda essa metamorfose, rejeitamos. Por pura ignorância. Somos ensinados a subestimar quem entende. Desconfiamos. Também somos doutrinados para apreciar o que apresenta dificuldade, o que requer sacrifício; se algo de fato vale a pena, deve ser quase inalcançável. Tendemos a desvalorizar o que não está num pedestal distante.
No entanto, acredito que aquilo que surge sem explicação guarda em si o que há de mais interessante. Até hoje, tudo que vi ou vivi fruto de expectativas baseadas no dever-ser não renderam grandes finais. Por outro lado, das coisas mais bobas e inesperadas surgiram grandes rotas. E o que há nesse mundo mais bonito do que simplicidade?
Não consigo me lembrar de nada.
Busco não uma cura, mas um alívio - um pouco de saúde. Ouvir as palavras certas - vindas de qualquer direção - é um descanso. Da mesma forma que a permissividade cultua vícios, a negação e o isolamento nos tornam menos humanos. O silêncio anda é uma forma de comunicação.
Tenho essa necessidade de conhecer cada ínfimo centímetro do outro, talvez na tentativa de me conhecer juntamente. Sou uma deficiente de coração, desconhecedora da minha própria alma. Da mesma forma, acredito que pessoas não estão terminadas como um livro - moldam-se, modificam, ganham novos cheiros e roteiros. Unir alguém e um destino imutável é uma ação extrínseca, até violenta. E quando encontramos quem compreenda essa metamorfose, rejeitamos. Por pura ignorância. Somos ensinados a subestimar quem entende. Desconfiamos. Também somos doutrinados para apreciar o que apresenta dificuldade, o que requer sacrifício; se algo de fato vale a pena, deve ser quase inalcançável. Tendemos a desvalorizar o que não está num pedestal distante.
No entanto, acredito que aquilo que surge sem explicação guarda em si o que há de mais interessante. Até hoje, tudo que vi ou vivi fruto de expectativas baseadas no dever-ser não renderam grandes finais. Por outro lado, das coisas mais bobas e inesperadas surgiram grandes rotas. E o que há nesse mundo mais bonito do que simplicidade?
Não consigo me lembrar de nada.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Tempo Perdido
Eu soube, naquele momento. Não tinha me enganado. A lembrança mais doce tornou-se também a mais triste. Agora já não existe mais razão, orgulho ou outra emoção racionalizada: sou toda coração. A metade de mim que era silêncio desintegrou-se quando me entreguei - e por essa redenção, passei a colecionar anseios e momentos.
Alguns demônios foram despertados dentro de mim - não se engane, todos temos - e eles sufocaram minhas reações por tempo demais. Não arrisco dizer ter a receita da cura, mas ao menos tenho encontrado quem é de bem, e cultiva um pouco de conforto pra calar o desespero.
Estou lendo antigos textos, ouvindo discos que já nem lembrava, tirando os álbuns velhos da estante. Tudo isso na esperança de recordar a vida que tive antes dessa bola de neve. Toda uma vida, antes de você. Adquiri você como vício, por escolha própria. Quero riscar no meu calendário os dias que passei em abstinência. Abstinência de você. Assumindo minha atonia. Não enxergo mais o propósito.
Hoje não queria pensar assim. Não vou. Quero dar um tempo dessa coisa chata de ser madura, que consome todo o meu tempo. Prefiro fazer história. Eu quero seu silêncio. Contraditório, não? Sempre lamentei seus dias monossilábicos. Mas hoje existem tantas outras linguaguens para fazermos uso. Hoje pra mim é carnaval. Quero desfilar a vida.
Ainda tem espaço - na casa, no coração. O tempo não me faz esquecer nada; só tira o inesquecível do foco. E quando eu lembro das palavras ditas, das não ditas, e algumas memórias em particular que vinculo à sentimentos reclusos, me dá uma saudade irracional de você.
Todas as formas de controle só trazem um amor vazio. Então não se surpreenda com um telefonema. Amanhã desperdiçaremos horas lamentando como fomos impulsivos. Mas hoje, só quero dançar com você.
Alguns demônios foram despertados dentro de mim - não se engane, todos temos - e eles sufocaram minhas reações por tempo demais. Não arrisco dizer ter a receita da cura, mas ao menos tenho encontrado quem é de bem, e cultiva um pouco de conforto pra calar o desespero.
Estou lendo antigos textos, ouvindo discos que já nem lembrava, tirando os álbuns velhos da estante. Tudo isso na esperança de recordar a vida que tive antes dessa bola de neve. Toda uma vida, antes de você. Adquiri você como vício, por escolha própria. Quero riscar no meu calendário os dias que passei em abstinência. Abstinência de você. Assumindo minha atonia. Não enxergo mais o propósito.
Hoje não queria pensar assim. Não vou. Quero dar um tempo dessa coisa chata de ser madura, que consome todo o meu tempo. Prefiro fazer história. Eu quero seu silêncio. Contraditório, não? Sempre lamentei seus dias monossilábicos. Mas hoje existem tantas outras linguaguens para fazermos uso. Hoje pra mim é carnaval. Quero desfilar a vida.
Ainda tem espaço - na casa, no coração. O tempo não me faz esquecer nada; só tira o inesquecível do foco. E quando eu lembro das palavras ditas, das não ditas, e algumas memórias em particular que vinculo à sentimentos reclusos, me dá uma saudade irracional de você.
Todas as formas de controle só trazem um amor vazio. Então não se surpreenda com um telefonema. Amanhã desperdiçaremos horas lamentando como fomos impulsivos. Mas hoje, só quero dançar com você.
sábado, 17 de setembro de 2011
Infortúnio.
E assim teve o início de um ciclo de sucessivos encontros desencontrados. Nunca abriram mão do lado seguro da calçada, nunca arriscaram alguns passos para longe do terreno conhecido. Mal se olharam, jamais se falaram; pareciam tão íntimos, porém. Simetricamente compatíveis. Completavam frases silenciosas. Partilhavam dos mesmos pensamentos, gostos e gestos. Reconheciam-se em frases musicadas.
No entanto, tentar parecia exigir demais. Era preciso coragem, tempo e paciência que não despunham. Desprender tanto em nome do incerto. Sem garantias ou falsas promessas. Ela sucumbia por tão pouco ao se sentir vulnerável, ignorada. Ele desconhecia o quão controverso era em suas ações, ignorante. Não existia em parte alguma um roteiro a ser seguido. Era um dia de cada vez, aliciando os maiores desejos nesse redemoinho de sensações. O que havia de mais tentador, e havia demais. Existiam outras tantas verdades presas em seu interior - e reter tudo dentro de si já não era eficaz, mas outra solução não era apresentada. E aí vinham de todos os lados, de ponta a ponta, doses de profunda dor. O coração era taquicárdico, o estômago despencava aos montes, as palavras surgiam mas a língua era áspera. Ela estava decidida: se dentro dela não mais cabe, acabe. Ele estava temeroso, como tantos tontos que não sabem lidar com o que lhes é ofertado.
Antes que se tornasse um estranho aos seus próprios olhos, surgiu o princípio da desistência. E quem ele conhece passou a ser quem ele conhecia. Num rodapé, as palavras brilhavam contra a luz: ''quem é você que me esqueceu, cadê você que eu não esqueço...''.
No entanto, tentar parecia exigir demais. Era preciso coragem, tempo e paciência que não despunham. Desprender tanto em nome do incerto. Sem garantias ou falsas promessas. Ela sucumbia por tão pouco ao se sentir vulnerável, ignorada. Ele desconhecia o quão controverso era em suas ações, ignorante. Não existia em parte alguma um roteiro a ser seguido. Era um dia de cada vez, aliciando os maiores desejos nesse redemoinho de sensações. O que havia de mais tentador, e havia demais. Existiam outras tantas verdades presas em seu interior - e reter tudo dentro de si já não era eficaz, mas outra solução não era apresentada. E aí vinham de todos os lados, de ponta a ponta, doses de profunda dor. O coração era taquicárdico, o estômago despencava aos montes, as palavras surgiam mas a língua era áspera. Ela estava decidida: se dentro dela não mais cabe, acabe. Ele estava temeroso, como tantos tontos que não sabem lidar com o que lhes é ofertado.
Antes que se tornasse um estranho aos seus próprios olhos, surgiu o princípio da desistência. E quem ele conhece passou a ser quem ele conhecia. Num rodapé, as palavras brilhavam contra a luz: ''quem é você que me esqueceu, cadê você que eu não esqueço...''.
domingo, 4 de setembro de 2011
Je ne regrette rien
Honestamente? Sigo nessa droga de estrada.
Se voltasse um dia no tempo, poderia me escutar repetindo culposamente, esbravejando para o mundo o quanto odeio me sentir dessa forma. Algo aconteceu hoje. Nas últimas 24 horas passei a gostar de mim assim. Pelo simples fato de estar disposta a esvaziar a casa, libertar cada cômodo, arejar um pouco. Recuar alguns passos pode ser um ato de coragem, em certos casos. Acho que me encaixo num deles. Aposto na necessidade latente de amarmos a nós mesmos com mais afinco. As pessoas confundem amor próprio com egocentrismo, e este é um erro lamentável. Devemos nos amar. Não o tipo de amor que exulta o alter ego, mas aquele amor que alimenta a ambição, o "querer mais" pelo simples e inegável fato de que merecemos isso. Quem está há muito tempo habituado à sua pr;pria imagem - mesmo que insatisfatória - acaba por esquecer o olhar dos outros sobre si. É uma obviedade que caracteriza um estado patológico.
Mascaramos todos os dias mil verdades íntimas. Esquecemos de buscar dentro de nós a cisão entre essência e existência. Esse dualismo mente-corpo pode se absurdamente confuso para uma mente pouco estruturada.
É evidente que algo ficará. Resquícios sempre ficam, não há esforço capaz de apagá-los. Não vou removê-los, no entanto não mais me arrisco a remoê-los; pertencem à memória, e serão palco para novos acasos. Vou colecionar finais. Vou perpetuar nessa roda-gigante, e isso me levará além. Pode ser que não exista nada a me acrescentar, mas igualmente nada será capaz de me diminuir.
Talvez por isso esteja profundamente viciada em pessoas perdidas. O ser humano sempre busca repouso em seus similares.
Se voltasse um dia no tempo, poderia me escutar repetindo culposamente, esbravejando para o mundo o quanto odeio me sentir dessa forma. Algo aconteceu hoje. Nas últimas 24 horas passei a gostar de mim assim. Pelo simples fato de estar disposta a esvaziar a casa, libertar cada cômodo, arejar um pouco. Recuar alguns passos pode ser um ato de coragem, em certos casos. Acho que me encaixo num deles. Aposto na necessidade latente de amarmos a nós mesmos com mais afinco. As pessoas confundem amor próprio com egocentrismo, e este é um erro lamentável. Devemos nos amar. Não o tipo de amor que exulta o alter ego, mas aquele amor que alimenta a ambição, o "querer mais" pelo simples e inegável fato de que merecemos isso. Quem está há muito tempo habituado à sua pr;pria imagem - mesmo que insatisfatória - acaba por esquecer o olhar dos outros sobre si. É uma obviedade que caracteriza um estado patológico.
Mascaramos todos os dias mil verdades íntimas. Esquecemos de buscar dentro de nós a cisão entre essência e existência. Esse dualismo mente-corpo pode se absurdamente confuso para uma mente pouco estruturada.
É evidente que algo ficará. Resquícios sempre ficam, não há esforço capaz de apagá-los. Não vou removê-los, no entanto não mais me arrisco a remoê-los; pertencem à memória, e serão palco para novos acasos. Vou colecionar finais. Vou perpetuar nessa roda-gigante, e isso me levará além. Pode ser que não exista nada a me acrescentar, mas igualmente nada será capaz de me diminuir.
Talvez por isso esteja profundamente viciada em pessoas perdidas. O ser humano sempre busca repouso em seus similares.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
(E)feito você
Sempre invejei aqueles que conseguem expor suas verdades. Não precisam necessariamente ser donos da razão, mas persistem até o fim em nome do que acreditam. É preciso ter muita coragem para admitir aos olhos de quem quer que seja aquilo que intimamente apostamos nossas fichas e sonhos. E é necessário ainda mais coragem para enxergarmos em nós mesmos o que de fato sentimos.
Não seria assim, se pudesse optar. Não sei em que momento da construção da minha personalidade me tornei tão... Desapegada, fria. Amarga, até. Há quem diga que desse modo desviamos do sofrimento da árdua tarefa que é viver. Só que aprendi com o tempo que isso não é de fato viver, plenamente.
Então me protejo, instintivamente. Não corro riscos, não quero sentir o gosto da decepção, não quero sobre mim esse peso. Tudo corria bem, até o momento em que eu era o comando central, acima de sensações passageiras. Isso foi antes da barreira quântica e invisível que não consigo mais atravessar, fisicamente, até. Antes eu era frívola como Dixie Beggs, sagaz como uma Getty e dominadora como Jacq Onassis. Era mil personagens, sempre fui, desde criança. Costumava me confundir diante da minha própria imagem no espelho, hábito que conservo através do tempo. Talvez tenha recolhido retalhos de outros durante minha passagem pela vida: gestos, falas, trejeitos, sorrisos. Possivelmente sou uma grande colagem de vários ícones que deixaram marcas.
Quero ter a mim mesma sempre completa; já vi tantos fatiados em pedaços antes e não almejo ocupar esse lugar. Da mesma forma, quero alguém por inteiro. Pode soar egoísta, mas não quero - nem vou - lidar com pessoas pela metade. Não quero a obrigação de ser a cura para feridas provocadas por outros. Não quero levantar ninguém, nem ajoelhar-me para estar na mesma página que uma alma presa ao passado. Tantas outras coisas ponho-me a disposição para oferecer: afeto, paz e até cuidado. Mas para isso, preciso que exista vontade, em infinitas doses. De deixar pra trás, de seguir adiante, de abrir mão do que já foi em nome do que pode ser.
É fim de tarde e sabe, eu estava aqui. Estive aqui por tempo demais. Ofereci mais do que podia, beirei a loucura e a sanidade tantas vezes, alternando extremos como um pêndulo. Rendi-me, e peguei firme a sua mão. E senti aquela ridícula sensação de êxtase instantâneo, e implorei para que sentisse o mesmo. Projetos de ilusão, que amadureceriam, criariam raízes e me transformariam num fantoche abandonado na cômoda. Assumo minha fraqueza... Não sei admitir o que penso, e ainda mais o que sinto. É preciso tatear dentro de mim em busca de respostas. No entanto, seguem as instruções: se eu significo algo, então procure meios de me achar... Ou me calar. Seja aquele que girará meus ombros na direção certa. Quero que me guie. Não para frente, mas ao seu encontro.
Não seria assim, se pudesse optar. Não sei em que momento da construção da minha personalidade me tornei tão... Desapegada, fria. Amarga, até. Há quem diga que desse modo desviamos do sofrimento da árdua tarefa que é viver. Só que aprendi com o tempo que isso não é de fato viver, plenamente.
Então me protejo, instintivamente. Não corro riscos, não quero sentir o gosto da decepção, não quero sobre mim esse peso. Tudo corria bem, até o momento em que eu era o comando central, acima de sensações passageiras. Isso foi antes da barreira quântica e invisível que não consigo mais atravessar, fisicamente, até. Antes eu era frívola como Dixie Beggs, sagaz como uma Getty e dominadora como Jacq Onassis. Era mil personagens, sempre fui, desde criança. Costumava me confundir diante da minha própria imagem no espelho, hábito que conservo através do tempo. Talvez tenha recolhido retalhos de outros durante minha passagem pela vida: gestos, falas, trejeitos, sorrisos. Possivelmente sou uma grande colagem de vários ícones que deixaram marcas.
Quero ter a mim mesma sempre completa; já vi tantos fatiados em pedaços antes e não almejo ocupar esse lugar. Da mesma forma, quero alguém por inteiro. Pode soar egoísta, mas não quero - nem vou - lidar com pessoas pela metade. Não quero a obrigação de ser a cura para feridas provocadas por outros. Não quero levantar ninguém, nem ajoelhar-me para estar na mesma página que uma alma presa ao passado. Tantas outras coisas ponho-me a disposição para oferecer: afeto, paz e até cuidado. Mas para isso, preciso que exista vontade, em infinitas doses. De deixar pra trás, de seguir adiante, de abrir mão do que já foi em nome do que pode ser.
É fim de tarde e sabe, eu estava aqui. Estive aqui por tempo demais. Ofereci mais do que podia, beirei a loucura e a sanidade tantas vezes, alternando extremos como um pêndulo. Rendi-me, e peguei firme a sua mão. E senti aquela ridícula sensação de êxtase instantâneo, e implorei para que sentisse o mesmo. Projetos de ilusão, que amadureceriam, criariam raízes e me transformariam num fantoche abandonado na cômoda. Assumo minha fraqueza... Não sei admitir o que penso, e ainda mais o que sinto. É preciso tatear dentro de mim em busca de respostas. No entanto, seguem as instruções: se eu significo algo, então procure meios de me achar... Ou me calar. Seja aquele que girará meus ombros na direção certa. Quero que me guie. Não para frente, mas ao seu encontro.
domingo, 21 de agosto de 2011
Costume
A gente se acostuma cedo demais. Nascemos com incontáveis afirmações impostas como verdades, e perdemos nossa capacidade crítica. Funcionamos como enormes esponjas, absorvendo tantos pré-conceitos e ideologias baseadas em fundamento algum.
E tarde demais percebemos o quanto existem pessoas que se escondem por trás desses preceitos, e usam mentiras como escudos. E justificam suas faltas protegidos por falsos ideais. Tem quem diga que a hipocrisia é inerente ao comportamento humano; eu acredito que seja o egoísmo. São raras as pessoas que verdadeiramente abdicam do seu bem-estar próprio em benefício de alguém que amam. Ainda mais raras são aquelas que abrem mão de algo em favor de um desconhecido. Não me isento dessa culpa. Tampouco acredito que esses desvios de caráter sejam obrigatórios na categoria humana. Acredito ser essa mais uma mentira facilmente levada à aceitação para amenizar os erros de cada um de nós.
Não alimento discursos enfadonhos, disfarço com meus vícios. Mas tenho preocupação obsessiva com culpa. E atribuir culpa a alguém pode levar a um julgamento impensado. Dessa forma, distribuo a culpa entre muitos, incluindo a mim mesma. Assim podemos todos viver em sintonia partilhando as mesmas atitudes hipócritas.
E tarde demais percebemos o quanto existem pessoas que se escondem por trás desses preceitos, e usam mentiras como escudos. E justificam suas faltas protegidos por falsos ideais. Tem quem diga que a hipocrisia é inerente ao comportamento humano; eu acredito que seja o egoísmo. São raras as pessoas que verdadeiramente abdicam do seu bem-estar próprio em benefício de alguém que amam. Ainda mais raras são aquelas que abrem mão de algo em favor de um desconhecido. Não me isento dessa culpa. Tampouco acredito que esses desvios de caráter sejam obrigatórios na categoria humana. Acredito ser essa mais uma mentira facilmente levada à aceitação para amenizar os erros de cada um de nós.
Não alimento discursos enfadonhos, disfarço com meus vícios. Mas tenho preocupação obsessiva com culpa. E atribuir culpa a alguém pode levar a um julgamento impensado. Dessa forma, distribuo a culpa entre muitos, incluindo a mim mesma. Assim podemos todos viver em sintonia partilhando as mesmas atitudes hipócritas.
sábado, 13 de agosto de 2011
Até em sonhos
Não costumava acreditar muito nisso, mas sofrimento de fato é opcional.
Fomos presenteados com a capacidade incrível de desviar nossos pensamentos para territórios seguros. O único problema é que em certas situações, queremos remoer o passado sucessivamente. E esse masoquismo se deve porque, às vezes, o que nos resta para manter vivo algo que um dia nos fez bem é alimentar as memórias que permaneceram na periferia de nossas mentes, mesmo quando elas não são lá muito benéficas.
E dá aquela vontade de dirigir a noite toda. Como curar ressaca com música alta. Você quer desconectar os pensamentos, mas não é apto. Você se pega rindo ou chorando, ou possivelmente rindo e chorando. É como colocar tudo o que sente num liquidificador, sem nunca saber o que poderá sair.
Então, vai um conselho: vá para baixo, o mais distante que pode chegar da sua cidade. Chegue a lugar nenhum. Se sinta fora do tempo por alguns segundos, e se permita. Não escute as críticas daqueles que nunca partilharam da mesma perda. Eles não viveram um dia a maneira como você vive seus últimos dias.
Não se importe com algumas palavras. Palavras têm um efeito muito maior do que aparentam. Mas mesmo que ele diga que vai ficar, ele já terá ido. Porque às vezes sentimos falta do que as pessoas eram, e odiamos o que se tornaram. Na verdade, odiamos no que nos tornaram.
Fomos presenteados com a capacidade incrível de desviar nossos pensamentos para territórios seguros. O único problema é que em certas situações, queremos remoer o passado sucessivamente. E esse masoquismo se deve porque, às vezes, o que nos resta para manter vivo algo que um dia nos fez bem é alimentar as memórias que permaneceram na periferia de nossas mentes, mesmo quando elas não são lá muito benéficas.
E dá aquela vontade de dirigir a noite toda. Como curar ressaca com música alta. Você quer desconectar os pensamentos, mas não é apto. Você se pega rindo ou chorando, ou possivelmente rindo e chorando. É como colocar tudo o que sente num liquidificador, sem nunca saber o que poderá sair.
Então, vai um conselho: vá para baixo, o mais distante que pode chegar da sua cidade. Chegue a lugar nenhum. Se sinta fora do tempo por alguns segundos, e se permita. Não escute as críticas daqueles que nunca partilharam da mesma perda. Eles não viveram um dia a maneira como você vive seus últimos dias.
Não se importe com algumas palavras. Palavras têm um efeito muito maior do que aparentam. Mas mesmo que ele diga que vai ficar, ele já terá ido. Porque às vezes sentimos falta do que as pessoas eram, e odiamos o que se tornaram. Na verdade, odiamos no que nos tornaram.
domingo, 31 de julho de 2011
É tudo culpa da imaginação.
Essa ferramenta que enraíza sonhos que nunca acontecerão na realidade dentro de nossas mentes. E aí, estamos presos a essa fantasia mais do que podíamos imaginar. Culpo também a aceitação. A partir do momento em que expomos não só para os outros, mas para nós mesmos, aquilo que de fato sentimos – ou pensamos sentir – tudo se torna cada vez mais forte e menos fictício. E então já é denso e sólido demais para desistir.
Nesse meio tempo, o inconsciente grita: não crie expectativas, não crie expectativas, não crie expectativas! É muito dolorosa a obrigação de suprir a necessidade de alguém. De ser aquilo que esperam. Você se torna escravo das regras que se submete.
Acredite, em um momento como este é fácil sentir o gosto da decepção. Ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Na maioria das vezes, elas sempre foram assim, e estivemos tão submersos em nossos devaneios que não fomos aptos para enxergar a real natureza deles. E não há nada mais egoísta e mesquinho do que tentar mudar a natureza de alguém.
Mesmo tendo conhecimento de tudo isso, ainda caíremos tantas e tantas vezes. Já que estamos tão acostumados a sermos instigados, conduzidos, desnorteados, lançados na infindável catarata de sentimentos e sensações.
Talvez apenas tudo tenha seu tempo. E o destino às vezes erre mandando pro presente aqueles que só deveriam aparecer no futuro.
"Outra coisa que eu penso quando me lembro daquelas uvas cor-de-rosa é que, na vida, as coisas mais doces custam muito a amadurecer."
Essa ferramenta que enraíza sonhos que nunca acontecerão na realidade dentro de nossas mentes. E aí, estamos presos a essa fantasia mais do que podíamos imaginar. Culpo também a aceitação. A partir do momento em que expomos não só para os outros, mas para nós mesmos, aquilo que de fato sentimos – ou pensamos sentir – tudo se torna cada vez mais forte e menos fictício. E então já é denso e sólido demais para desistir.
Nesse meio tempo, o inconsciente grita: não crie expectativas, não crie expectativas, não crie expectativas! É muito dolorosa a obrigação de suprir a necessidade de alguém. De ser aquilo que esperam. Você se torna escravo das regras que se submete.
Acredite, em um momento como este é fácil sentir o gosto da decepção. Ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Na maioria das vezes, elas sempre foram assim, e estivemos tão submersos em nossos devaneios que não fomos aptos para enxergar a real natureza deles. E não há nada mais egoísta e mesquinho do que tentar mudar a natureza de alguém.
Mesmo tendo conhecimento de tudo isso, ainda caíremos tantas e tantas vezes. Já que estamos tão acostumados a sermos instigados, conduzidos, desnorteados, lançados na infindável catarata de sentimentos e sensações.
Talvez apenas tudo tenha seu tempo. E o destino às vezes erre mandando pro presente aqueles que só deveriam aparecer no futuro.
"Outra coisa que eu penso quando me lembro daquelas uvas cor-de-rosa é que, na vida, as coisas mais doces custam muito a amadurecer."
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Retrato
Se me quer bem, não espere nada de mim. Não crie falsas ilusões, nem rótulos que não perpetuam. Provavelmente não vou ser nada daquilo que você acredita, e odeio o odor da decepção. Sempre pesa.
Ao invés disso, esteja disposto a entender meu jeito torto. Costumo andar na corda bamba, tenho coleções de arranhões provenientes das minhas inúmeras quedas, mas nunca hesito ao levantar. E quando as lágrimas ameaçam mergulhar retas em direção ao solo, sempre desistem ao chegar à borda do trampolim.
Não se engane, não sou uma fortaleza. Sou no máximo um oásis em meio ao deserto, repleto de falhas, deslizes e crateras. Mas com tantos ganhos para amenizar as perdas, sobrevivo.
Ao invés disso, esteja disposto a entender meu jeito torto. Costumo andar na corda bamba, tenho coleções de arranhões provenientes das minhas inúmeras quedas, mas nunca hesito ao levantar. E quando as lágrimas ameaçam mergulhar retas em direção ao solo, sempre desistem ao chegar à borda do trampolim.
Não se engane, não sou uma fortaleza. Sou no máximo um oásis em meio ao deserto, repleto de falhas, deslizes e crateras. Mas com tantos ganhos para amenizar as perdas, sobrevivo.
domingo, 26 de junho de 2011
Vícios
Não sei por que cargas d’água adquiri esse vício. Possivelmente algum trauma de infância, ou simplesmente o complexo de filha caçula com pretensões de ser eternamente adulada. Não sei dizer qual foi a falha, aquele momento chave no qual comecei a usar os outros como escudo. A usar a mim mesma como escudo. A pensar mais e sentir menos.
Mas uma certeza, no meio a tantas incertezas, é que eu me transformei numa devoradora de emoções. Desaprendi o lema de ‘‘um dia de cada vez’’, uma vez que no dia seguinte já não é mais aquilo que eu quero. Nada daquilo. Nem uma partezinha. O objetivo – único e exclusivo – é apenas conseguir. E quando eu consigo, não existe mais nenhum desafio. Essa necessidade se ser posta a prova me leva a não querer mais, e por não querer mais, a iniciar um outro ciclo com mesmo desfecho.
Acho que sou viciada em culpa. Encaro relacionamentos como roupas: quando novas, são merecedoras de toda a minha atenção, e eu poderia passar horas apenas observando-as. Não passo, mas poderia. Então eu as uso, e por mais que ainda conservem um cheirinho de recém compradas, após a terceira lavagem eu as coloco no fundo da prateleira, perdidas no esquecimento. São velhas, portanto desgastadas. Então, entorpecida por esse consumismo-afetivo desenfreado, migro de loja em loja em busca da próxima peça. Até o momento em que vejo uma foto antiga, e penso: ‘’não é que essa blusa me caía bem?’’ E essa é a hora em que tateio a gaveta e recupero aquilo que estava fadado ao passado.
Mas logo me arrependo. Maldita blusa. Como ela pode surgir do nada, estimulando toda a minha excitação, e sem explicação alguma, na primeira vez que dou a chance de circular na luz do sol e perder o cheiro de naftalina, ela se torna totalmente inapropriada? De repente se tornou larga demais para mim, ou eu me tornei pequena demais para ela. Talvez esse tecido esteja fora de moda. Chego em casa absolutamente decida a me livrar dela.
Mas... Pensando bem, passamos bons momentos juntas.
Estive com ela naquele show da minha banda favorita. Assistimos filmes juntas na casa de um amigo. Ela visitou lugares que não gostaria de perder na memória. Nossa memória é uma coisa engraçada. A minha é, pelo menos. Ela tem essa mania de guardar lembranças boas para momentos inoportunos – como aqueles em que deveria colocar um ponto final nas coisas e extirpar esse câncer – e as mágoas para momentos oportunos, a exemplo daqueles que estou lendo um bom livro e me pego contemplando a parede. E a parede passa a me observar, também. E passamos a dialogar. E no segundo em que começo a ouvir seus conselhos, percebo o quanto a solidão pode ser perturbadora.
Então eu guardo novamente a blusa no meu armário. Ele é grande, arejado: tem espaço para mais uma. Uma de estimação, um pequeno mimo.
Em meio a esse jogo, passo a odiar a blusa. Rezo para todas as entidades espirituais pedindo aquele empurrãozinho essencial para rasgá-la com a tesoura da cozinha. Não obtenho respostas, nunca. Curioso como a parede me responde, mas nenhum retorno vem de outro plano. Acho que o cara lá de cima não aprova meu comportamento inescrupuloso. Seria eu mais culpada que os bêbados ou tabagistas? Enquadro isso como outro vício qualquer. O que seria uma redundância, já que é do conhecimento de todos que o amor é um vício.
Considero lamentável continuar com essa história, um somatório de desilusões, perdas e covardia. Sim, esta última no singular – não vou atribuí-la a ninguém além de mim. Mas ainda me classifico como uma psicótica mediana. Sei que é o receio de sofrer e depender daquele remédio que todos buscam e parece cada vez menos disponível no mercado – o tempo – que me impede de mostrar o meu lado mais bonito. Mas sei também que alguma coisa no tempo e no espaço vai me fazer mudar. Hoje eu faria qualquer coisa, se você me procurasse.
Mas uma certeza, no meio a tantas incertezas, é que eu me transformei numa devoradora de emoções. Desaprendi o lema de ‘‘um dia de cada vez’’, uma vez que no dia seguinte já não é mais aquilo que eu quero. Nada daquilo. Nem uma partezinha. O objetivo – único e exclusivo – é apenas conseguir. E quando eu consigo, não existe mais nenhum desafio. Essa necessidade se ser posta a prova me leva a não querer mais, e por não querer mais, a iniciar um outro ciclo com mesmo desfecho.
Acho que sou viciada em culpa. Encaro relacionamentos como roupas: quando novas, são merecedoras de toda a minha atenção, e eu poderia passar horas apenas observando-as. Não passo, mas poderia. Então eu as uso, e por mais que ainda conservem um cheirinho de recém compradas, após a terceira lavagem eu as coloco no fundo da prateleira, perdidas no esquecimento. São velhas, portanto desgastadas. Então, entorpecida por esse consumismo-afetivo desenfreado, migro de loja em loja em busca da próxima peça. Até o momento em que vejo uma foto antiga, e penso: ‘’não é que essa blusa me caía bem?’’ E essa é a hora em que tateio a gaveta e recupero aquilo que estava fadado ao passado.
Mas logo me arrependo. Maldita blusa. Como ela pode surgir do nada, estimulando toda a minha excitação, e sem explicação alguma, na primeira vez que dou a chance de circular na luz do sol e perder o cheiro de naftalina, ela se torna totalmente inapropriada? De repente se tornou larga demais para mim, ou eu me tornei pequena demais para ela. Talvez esse tecido esteja fora de moda. Chego em casa absolutamente decida a me livrar dela.
Mas... Pensando bem, passamos bons momentos juntas.
Estive com ela naquele show da minha banda favorita. Assistimos filmes juntas na casa de um amigo. Ela visitou lugares que não gostaria de perder na memória. Nossa memória é uma coisa engraçada. A minha é, pelo menos. Ela tem essa mania de guardar lembranças boas para momentos inoportunos – como aqueles em que deveria colocar um ponto final nas coisas e extirpar esse câncer – e as mágoas para momentos oportunos, a exemplo daqueles que estou lendo um bom livro e me pego contemplando a parede. E a parede passa a me observar, também. E passamos a dialogar. E no segundo em que começo a ouvir seus conselhos, percebo o quanto a solidão pode ser perturbadora.
Então eu guardo novamente a blusa no meu armário. Ele é grande, arejado: tem espaço para mais uma. Uma de estimação, um pequeno mimo.
Em meio a esse jogo, passo a odiar a blusa. Rezo para todas as entidades espirituais pedindo aquele empurrãozinho essencial para rasgá-la com a tesoura da cozinha. Não obtenho respostas, nunca. Curioso como a parede me responde, mas nenhum retorno vem de outro plano. Acho que o cara lá de cima não aprova meu comportamento inescrupuloso. Seria eu mais culpada que os bêbados ou tabagistas? Enquadro isso como outro vício qualquer. O que seria uma redundância, já que é do conhecimento de todos que o amor é um vício.
Considero lamentável continuar com essa história, um somatório de desilusões, perdas e covardia. Sim, esta última no singular – não vou atribuí-la a ninguém além de mim. Mas ainda me classifico como uma psicótica mediana. Sei que é o receio de sofrer e depender daquele remédio que todos buscam e parece cada vez menos disponível no mercado – o tempo – que me impede de mostrar o meu lado mais bonito. Mas sei também que alguma coisa no tempo e no espaço vai me fazer mudar. Hoje eu faria qualquer coisa, se você me procurasse.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Maps
Faça as malas.
Não, não espero que me diga aonde vai. Nossos futuros não estão mais enraizados num mesmo plano, nossos destinos não seguem ladeados. E não adianta apelar para o sentimentalismo; nada perdura intacto através dos anos. Sempre, sempre mesmo, algo se perde no filtro da memória. Lembranças viram cinzas. Por isso não hesite... Não mude o foco.
Espere! Eu continuo a mesma. Desfaça as malas.
Eles não o amam como eu amo. Não amam o timbre da sua voz, nem a forma ininterrupta que seus cílios piscam. Não amam seus armários cheios de porcarias nem sua geladeira repleta de congelados, sei que não. Amam apenas o que é fácil, o que é conveniente. Amam suas intermináveis qualidades, e todas as outras bobagens superficiais. Mas apenas eu conheço o que descansa embaixo disso tudo. São só camadas.
Mas nem sempre foi assim. Quer saber? Refaça as malas.
Eu sei, ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Às vezes, é como ficar surpreso com o fogo queimar. Faz parte da natureza deles. Mas isso não alivia a dor. Principalmente quando você percebe que sua função era apenas preencher um vazio já existente, curar uma ferida provocada por outro. E por curar esse alguém, você é quem acaba sangrando, quando percebe que nunca se tratou de você. E nessa rotina de usurpar outros papéis você cansa de ser um dublê.
Bem, desfaça as malas.
Fique o quanto quiser. Uma vez li que insistir em quem nos ignora não é masoquismo, é inconformismo. Nada é horrível nem maravilhoso; é o mesmo principio do ying-yang. Não há mal que sempre dure ou bem que nunca acabe. Por isso decidi viver uma vida mais ou menos feliz. O intermediário não pode ser considerado bom? Não seria algo como um equilíbrio? Felicidade demais incomoda. Talvez devêssemos ser modestos, nos contentar com o mais ou menos amor. Talvez seja melhor do que uma mais ou menos solidão.
Talvez você devesse fazer as malas. Juro, não vou voltar atrás dessa vez. Finalmente percebi que essa teoria do mais-ou-menos-amor nunca se provaria verdadeira. E o porquê dessa conclusão é que na verdade, não seriamos metades exatas de um mesmo sentimento. O amor não seria fracionado. Eu o guardaria por inteiro, e você não conservaria porcentagem alguma. Mesmo num mundo em que boas coisas não me acontecem, decidi que não é justo. Comigo, com você. Então, apesar de todos os pesares, estou deixando ir. E Deus continua sussurrando que o melhor está por vir.
Não, não espero que me diga aonde vai. Nossos futuros não estão mais enraizados num mesmo plano, nossos destinos não seguem ladeados. E não adianta apelar para o sentimentalismo; nada perdura intacto através dos anos. Sempre, sempre mesmo, algo se perde no filtro da memória. Lembranças viram cinzas. Por isso não hesite... Não mude o foco.
Espere! Eu continuo a mesma. Desfaça as malas.
Eles não o amam como eu amo. Não amam o timbre da sua voz, nem a forma ininterrupta que seus cílios piscam. Não amam seus armários cheios de porcarias nem sua geladeira repleta de congelados, sei que não. Amam apenas o que é fácil, o que é conveniente. Amam suas intermináveis qualidades, e todas as outras bobagens superficiais. Mas apenas eu conheço o que descansa embaixo disso tudo. São só camadas.
Mas nem sempre foi assim. Quer saber? Refaça as malas.
Eu sei, ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Às vezes, é como ficar surpreso com o fogo queimar. Faz parte da natureza deles. Mas isso não alivia a dor. Principalmente quando você percebe que sua função era apenas preencher um vazio já existente, curar uma ferida provocada por outro. E por curar esse alguém, você é quem acaba sangrando, quando percebe que nunca se tratou de você. E nessa rotina de usurpar outros papéis você cansa de ser um dublê.
Bem, desfaça as malas.
Fique o quanto quiser. Uma vez li que insistir em quem nos ignora não é masoquismo, é inconformismo. Nada é horrível nem maravilhoso; é o mesmo principio do ying-yang. Não há mal que sempre dure ou bem que nunca acabe. Por isso decidi viver uma vida mais ou menos feliz. O intermediário não pode ser considerado bom? Não seria algo como um equilíbrio? Felicidade demais incomoda. Talvez devêssemos ser modestos, nos contentar com o mais ou menos amor. Talvez seja melhor do que uma mais ou menos solidão.
Talvez você devesse fazer as malas. Juro, não vou voltar atrás dessa vez. Finalmente percebi que essa teoria do mais-ou-menos-amor nunca se provaria verdadeira. E o porquê dessa conclusão é que na verdade, não seriamos metades exatas de um mesmo sentimento. O amor não seria fracionado. Eu o guardaria por inteiro, e você não conservaria porcentagem alguma. Mesmo num mundo em que boas coisas não me acontecem, decidi que não é justo. Comigo, com você. Então, apesar de todos os pesares, estou deixando ir. E Deus continua sussurrando que o melhor está por vir.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Samson
Eu preciso dos seus erros. Preciso dos seus atrasos ao me buscar. Preciso dos seus suéteres rasgados. Preciso dos presentes errados que você me compra e que eu finjo que superaram minhas expectativas.
Preciso daqueles momentos embaraçosos onde você esquece o nome dos meus familiares. Preciso dos restaurantes de gosto duvidoso que você me leva. Preciso das suas composições carregadas de desalento e do seu dia-a-dia metódico. Preciso da sua paranóia. Preciso do seu ciúme dos meus amigos, primos e do meu cachorro. Preciso do cheiro do seu carro e do seu quarto. Preciso daquelas olheiras vindas de noites mal dormidas. Preciso da sua risada rouca e das inúmeras vezes que você perde o celular no banco de trás. Preciso do seu ronco ensaiado. Preciso que você complete minhas frases.
Preciso da sua barba mal feita. Preciso do seu corte de cabelo assimétrico. Preciso do seu tênis surrados, com cadarços desfiados e sujos de lama ou outra coisa qualquer. Preciso acordar e ver quinze ligações suas perdidas durante a madrugada. Preciso da sua respiração descompassada. Preciso, preciso.
Como os livros de história nos esqueceram? Deveríamos ter sido mencionados ao menos uma vez.
Você é meu mais doce erro.
Preciso daqueles momentos embaraçosos onde você esquece o nome dos meus familiares. Preciso dos restaurantes de gosto duvidoso que você me leva. Preciso das suas composições carregadas de desalento e do seu dia-a-dia metódico. Preciso da sua paranóia. Preciso do seu ciúme dos meus amigos, primos e do meu cachorro. Preciso do cheiro do seu carro e do seu quarto. Preciso daquelas olheiras vindas de noites mal dormidas. Preciso da sua risada rouca e das inúmeras vezes que você perde o celular no banco de trás. Preciso do seu ronco ensaiado. Preciso que você complete minhas frases.
Preciso da sua barba mal feita. Preciso do seu corte de cabelo assimétrico. Preciso do seu tênis surrados, com cadarços desfiados e sujos de lama ou outra coisa qualquer. Preciso acordar e ver quinze ligações suas perdidas durante a madrugada. Preciso da sua respiração descompassada. Preciso, preciso.
Como os livros de história nos esqueceram? Deveríamos ter sido mencionados ao menos uma vez.
Você é meu mais doce erro.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Mais do mesmo
Não é você.
Queria deixar isso mais do que claro, assim não restarão dúvidas entre nós. E poderemos finalmente romper essa ligação doentia que insistimos em fazer perdurar. Francamente, não é você.
Tampouco, não se engane – não sou eu. Apesar de tender a assumir os nossos erros, e não só os meus, não suporto o peso. E como pesa! As toneladas de sarcasmo, incompreensão e deslealdade me fizeram sucumbir. Fizeram-nos sucumbir. Sendo assim, vamos promover o desapego. A saída benéfica que procuramos por tanto tempo, a solução para todos os confrontos, a voz para todos os silêncios.
Eu sei, questiono demais as coisas. Mas eu nunca questionei se eu amei. Dentre todas as interrogações que circundavam meus pensamentos, nunca hesitei em assumir essa verdade incontestável. No entanto, incontáveis foram as vezes em que me perguntei se o tive. Então reuni todas as evidências, todos os momentos partilhados, e não só os recheados de boa música, pele e poesia. Revivi todo o exagero de intensidade, como em um momento tudo que eu mais desejava era cobri-lo de agrados, e no segundo seguinte eu considerava a possibilidade de estrangulá-lo com a mangueira do jardim.
E foi aí que eu percebi, não foi você. Foi apenas tudo que você representou para mim, naquela época de desencontros. Você foi meu sol particular, foi meu mundo inteiro. Foi tudo que eu sempre quis e o que mais temi. Você foi meu espelho, meu reflexo; eu pude enxergar minhas impressões em seus contornos, suas linhas. Foi minha dose de sanidade quando tudo estava fora de órbita. Eu costumava não enxergar, e essa cegueira me levou a não olhar para fora. E, por não olhar para fora, logo me acostumei a não abrir de todo as janelas. E, por não abrir as janelas, me acostumei a viver no escuro. E aí esqueci como é sentir a luz, e você trouxe isso de volta. E me trouxe de volta ao lugar ao qual sempre pertenci, mas havia me esquecido disso.
Algumas coisas vão permanecer – o cheiro, o timbre, o toque. Você sabe que eu tenho essa coisa de pele, não consigo me desfazer. Posso guardar algumas camisas? Gosto delas. Sinto-me mais eu. Sempre fui mais eu com você. Acho que descobri um novo eu.
Não me leve a mal. Só quero fazê-lo tão feliz quanto você me fez, e acredite, a melhor forma de retribuição é a liberdade. Se eu não consigo aprender a não devorá-lo e você não consegue aprender a não me sufocar, é hora de partir. Antes que só sobre respeito. É muito triste quando a admiração e o encanto acabam, tendemos a apagar tantas boas recordações para nos curarmos enquanto o tempo não se encarrega de nos recompor. E não quero apagar nada, quero conservar seus sorrisos e seus resmungos. Quero por completo.
Não sei ao certo como vou deixar você partir, como os pais que criam os filhos para o mundo. Vou querer sempre mais.
Mais do mesmo.
Mas dói mesmo.
Acho adeus uma palavra deprimente e carregada de negativismo. Então, acho que vou usar ‘‘até breve’’. Se é a melhor forma de encerrar, não sei dizer. Se existe outro jeito, eu prefiro assim.
Queria deixar isso mais do que claro, assim não restarão dúvidas entre nós. E poderemos finalmente romper essa ligação doentia que insistimos em fazer perdurar. Francamente, não é você.
Tampouco, não se engane – não sou eu. Apesar de tender a assumir os nossos erros, e não só os meus, não suporto o peso. E como pesa! As toneladas de sarcasmo, incompreensão e deslealdade me fizeram sucumbir. Fizeram-nos sucumbir. Sendo assim, vamos promover o desapego. A saída benéfica que procuramos por tanto tempo, a solução para todos os confrontos, a voz para todos os silêncios.
Eu sei, questiono demais as coisas. Mas eu nunca questionei se eu amei. Dentre todas as interrogações que circundavam meus pensamentos, nunca hesitei em assumir essa verdade incontestável. No entanto, incontáveis foram as vezes em que me perguntei se o tive. Então reuni todas as evidências, todos os momentos partilhados, e não só os recheados de boa música, pele e poesia. Revivi todo o exagero de intensidade, como em um momento tudo que eu mais desejava era cobri-lo de agrados, e no segundo seguinte eu considerava a possibilidade de estrangulá-lo com a mangueira do jardim.
E foi aí que eu percebi, não foi você. Foi apenas tudo que você representou para mim, naquela época de desencontros. Você foi meu sol particular, foi meu mundo inteiro. Foi tudo que eu sempre quis e o que mais temi. Você foi meu espelho, meu reflexo; eu pude enxergar minhas impressões em seus contornos, suas linhas. Foi minha dose de sanidade quando tudo estava fora de órbita. Eu costumava não enxergar, e essa cegueira me levou a não olhar para fora. E, por não olhar para fora, logo me acostumei a não abrir de todo as janelas. E, por não abrir as janelas, me acostumei a viver no escuro. E aí esqueci como é sentir a luz, e você trouxe isso de volta. E me trouxe de volta ao lugar ao qual sempre pertenci, mas havia me esquecido disso.
Algumas coisas vão permanecer – o cheiro, o timbre, o toque. Você sabe que eu tenho essa coisa de pele, não consigo me desfazer. Posso guardar algumas camisas? Gosto delas. Sinto-me mais eu. Sempre fui mais eu com você. Acho que descobri um novo eu.
Não me leve a mal. Só quero fazê-lo tão feliz quanto você me fez, e acredite, a melhor forma de retribuição é a liberdade. Se eu não consigo aprender a não devorá-lo e você não consegue aprender a não me sufocar, é hora de partir. Antes que só sobre respeito. É muito triste quando a admiração e o encanto acabam, tendemos a apagar tantas boas recordações para nos curarmos enquanto o tempo não se encarrega de nos recompor. E não quero apagar nada, quero conservar seus sorrisos e seus resmungos. Quero por completo.
Não sei ao certo como vou deixar você partir, como os pais que criam os filhos para o mundo. Vou querer sempre mais.
Mais do mesmo.
Mas dói mesmo.
Acho adeus uma palavra deprimente e carregada de negativismo. Então, acho que vou usar ‘‘até breve’’. Se é a melhor forma de encerrar, não sei dizer. Se existe outro jeito, eu prefiro assim.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Canção de Nós Dois
''Há mulheres que querem que seu homem seja o sol. O meu quero-o nuvem''. Não desejo que meus olhos doam ao observá-lo; quero que ele preencha meus espaços, complete meus vazios. Há mulheres que querem estar na mesma página que seus homens. Quero avançar alguns capítulos, e quero que ele me traga de volta para reviver certas páginas já gastas e reescrever outras com novo final. Quero que ele guarde meus pensamentos e entenda meus silêncios. Quero que quando eu feche os olhos ele continue comigo, protagonizando meus sonhos. E que quando eu risse ou chorasse sem motivos, ele não perguntasse o porquê, saberíamos.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Doce Solidão
Hoje eu vou estar só
Vou sair para não ter volta, e sorte de quem não estiver em minha volta
Solidão, corre que eu te alcanço! Hoje vai faltar carinho e vai sobrar carnaval
Mas não se preocupe não, amor
Que quando chegar a hora certa, eu volto.
O porquê eu já nem sei, esse lar não me completa
Mas não devemos nos encaixar como peças de um quebra-cabeças, devemos? Devemos nos bastar...
E eu voltarei não por precisar, e sim por querer! E não voltarei pela metade, voltarei inteira.
E quando eu cruzar a entrada, quero ouvir você cantar
"Quero ver a menina, (...)
O vestido... Toda vestida de flores lá vem a menina!
Quero estender um tapete vermelho pra ela."
Vou sair para não ter volta, e sorte de quem não estiver em minha volta
Solidão, corre que eu te alcanço! Hoje vai faltar carinho e vai sobrar carnaval
Mas não se preocupe não, amor
Que quando chegar a hora certa, eu volto.
O porquê eu já nem sei, esse lar não me completa
Mas não devemos nos encaixar como peças de um quebra-cabeças, devemos? Devemos nos bastar...
E eu voltarei não por precisar, e sim por querer! E não voltarei pela metade, voltarei inteira.
E quando eu cruzar a entrada, quero ouvir você cantar
"Quero ver a menina, (...)
O vestido... Toda vestida de flores lá vem a menina!
Quero estender um tapete vermelho pra ela."
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Fadados a Fingir
Hoje me dei o direito de estar chata.
Desculpa, mas não confio em gente que é feliz o tempo inteiro. Não acredito em sorrisos sinceros que duram semanas seguidas, e nem em doces palavras ditas em seqüência. Talvez por isso entendo e respeito todo e qualquer descontentamento, e os milhares de abusinhos da vida. Acredito piamente que cada um tem direito a um abusinho por dia. Mais ainda, se for um dia especialmente cansativo. Se você tiver batido o carro ou perder horas no trânsito. Se for mulher, são permitidos até dez abusinhos diários em caso de TPM.
Deveria existir um sinal, algo que indicasse a minha impaciência... Assim as pessoas estariam avisadas e não tentariam aproximação. Sim, eu moro no reino da inconveniência. E todos poderiam parar de me olhar como se eu estivesse devorando suas almas. Ou eu poderia aprender a não devorá-las.
Parece que a cada muxoxo, esse sentimento abocanha territórios cada vez maiores dentro de mim. E apesar de no fundo eu ter um coração lindo e simpático, não consigo evitar encarar as pessoas de forma que meus olhos falem algo como ‘‘sou decidida, determinada e inconseqüente. Sou rebelde.’’ A verdade é que eu finjo como uma adulta, mas sou vulnerável como uma garotinha. E isso é absolutamente natural - este senso de isolamento, de desvio, é um infeliz ritual adolescente. Mas nem sempre é assim.
Já houve um tempo em que realmente acreditei que tentar era o primeiro passo rumo ao fracasso. E que se a culpa de algo era minha, eu poderia colocá-la em quem quisesse. E que estávamos todos fadados ao fiasco. Mas aprendi que toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos.
Não se pode dizer que eu tenha desenvolvido uma paixão pelos holofotes; no entanto, não me sinto mais tão escassa, tão vazia. Sempre foram ações cada vez mais inseguras, cada vez mais falhas, cada vez menos ações. Mas, com aquele precioso remédio que cura quase tudo chamado tempo, você assimila que arriscar e cair não é tão ruim. O ruim é não arriscar. Nesse momento você entende o que realmente é beleza, e essa beleza atrai os ladrões mais que o ouro.
Desculpa, mas não confio em gente que é feliz o tempo inteiro. Não acredito em sorrisos sinceros que duram semanas seguidas, e nem em doces palavras ditas em seqüência. Talvez por isso entendo e respeito todo e qualquer descontentamento, e os milhares de abusinhos da vida. Acredito piamente que cada um tem direito a um abusinho por dia. Mais ainda, se for um dia especialmente cansativo. Se você tiver batido o carro ou perder horas no trânsito. Se for mulher, são permitidos até dez abusinhos diários em caso de TPM.
Deveria existir um sinal, algo que indicasse a minha impaciência... Assim as pessoas estariam avisadas e não tentariam aproximação. Sim, eu moro no reino da inconveniência. E todos poderiam parar de me olhar como se eu estivesse devorando suas almas. Ou eu poderia aprender a não devorá-las.
Parece que a cada muxoxo, esse sentimento abocanha territórios cada vez maiores dentro de mim. E apesar de no fundo eu ter um coração lindo e simpático, não consigo evitar encarar as pessoas de forma que meus olhos falem algo como ‘‘sou decidida, determinada e inconseqüente. Sou rebelde.’’ A verdade é que eu finjo como uma adulta, mas sou vulnerável como uma garotinha. E isso é absolutamente natural - este senso de isolamento, de desvio, é um infeliz ritual adolescente. Mas nem sempre é assim.
Já houve um tempo em que realmente acreditei que tentar era o primeiro passo rumo ao fracasso. E que se a culpa de algo era minha, eu poderia colocá-la em quem quisesse. E que estávamos todos fadados ao fiasco. Mas aprendi que toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos.
Não se pode dizer que eu tenha desenvolvido uma paixão pelos holofotes; no entanto, não me sinto mais tão escassa, tão vazia. Sempre foram ações cada vez mais inseguras, cada vez mais falhas, cada vez menos ações. Mas, com aquele precioso remédio que cura quase tudo chamado tempo, você assimila que arriscar e cair não é tão ruim. O ruim é não arriscar. Nesse momento você entende o que realmente é beleza, e essa beleza atrai os ladrões mais que o ouro.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O certo e o incerto
Não entendo ao certo o motivo, mas existe algo que me leva a optar por viver a vida que idealizo em detrimento daquela que está acontecendo, aqui e agora. Essa necessidade nunca cessa; quando finalmente alcanço o privilégio de estar em um daqueles momentos em que perco o sono repassando no meu íntimo, desperdiço aqueles preciosos segundos com novas fantasias. O que fazer quando por fim chego lá, mas este ‘‘lá’’ não está mais onde deveria estar? Se me parece confuso explicar, experimente imaginar como seria viver. Renunciamos aos nossos sonhos por medo de fracassar ou, pior ainda, de ter êxito.
Talvez seja produto do anseio de corresponder as expectativas criadas sobre mim. De tantas dúvidas, nasce uma angústia. Não me preocupo só em estar no rumo incerto, numa estrada tortuosa. Li certa vez que para vivermos uma vida criativa, temos que perder o receio de estarmos errados. Em teoria, soa absolutamente cabível, se encaixa perfeitamente. No entanto, a tarefa se torna mais árdua quando preciso não apenas libertar-me daquilo que me aflige, como também ignorar os dedos apontados em minha direção e as expressões que revelam uma verdade que não propicia encorajamento: ‘‘você não irá conseguir’’. Você também já sentiu. É claro que já. Todos nós já sentimos. Várias vezes... E ainda sentiremos outras tantas. Sempre haverá alguém para lembrar-nos o quanto podemos estar errados, e se estivermos, o quanto sofreremos por isso. E teremos que digerir combinações de palavras que irão soar exatamente como ‘‘eu bem que avisei’’. Na verdade, não teremos, mas iremos mesmo assim. Não gosto da responsabilidade de carregar em mim os sonhos de outros, não acredito que posso usurpar o lugar pertencente a um outro alguém... Não gosto do peso e do quanto pesa. Não gosto de nada que não seja meu, nada oriundo das frustrações alheias. Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.
E quando eu me perder no meio desse turbilhão de desilusões, sempre terá alguém para dar uma rasteira. Ou pior, fazer um carinho. E aí viverei em função desse carinho, e poderia jurar que estaria plenamente curada. Carinhos são como histórias contadas para distrair, para iludir. Carinhos são mentiras disfarçadas. Como diria Clarice Lispector, “porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.”
Talvez seja produto do anseio de corresponder as expectativas criadas sobre mim. De tantas dúvidas, nasce uma angústia. Não me preocupo só em estar no rumo incerto, numa estrada tortuosa. Li certa vez que para vivermos uma vida criativa, temos que perder o receio de estarmos errados. Em teoria, soa absolutamente cabível, se encaixa perfeitamente. No entanto, a tarefa se torna mais árdua quando preciso não apenas libertar-me daquilo que me aflige, como também ignorar os dedos apontados em minha direção e as expressões que revelam uma verdade que não propicia encorajamento: ‘‘você não irá conseguir’’. Você também já sentiu. É claro que já. Todos nós já sentimos. Várias vezes... E ainda sentiremos outras tantas. Sempre haverá alguém para lembrar-nos o quanto podemos estar errados, e se estivermos, o quanto sofreremos por isso. E teremos que digerir combinações de palavras que irão soar exatamente como ‘‘eu bem que avisei’’. Na verdade, não teremos, mas iremos mesmo assim. Não gosto da responsabilidade de carregar em mim os sonhos de outros, não acredito que posso usurpar o lugar pertencente a um outro alguém... Não gosto do peso e do quanto pesa. Não gosto de nada que não seja meu, nada oriundo das frustrações alheias. Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.
E quando eu me perder no meio desse turbilhão de desilusões, sempre terá alguém para dar uma rasteira. Ou pior, fazer um carinho. E aí viverei em função desse carinho, e poderia jurar que estaria plenamente curada. Carinhos são como histórias contadas para distrair, para iludir. Carinhos são mentiras disfarçadas. Como diria Clarice Lispector, “porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.”
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Odeio pombos.
E odeio ficar presa no trânsito.
Odeio o som de unhas arranhando tecidos e odeio cheiro de grama recém cortada.
Odeio bebidas quentes no almoço, odeio quando minha unha prende na roupa.
Odeio chegar nos lugares cedo demais e odeio ficar mexendo no meu celular por não saber como agir.
Odeio perder as chaves. Odeio meus vizinhos ouvindo música ruim no último volume.
Odeio comer doces e sentir culpa depois. Na verdade, só odeio a culpa, e não o açúcar.
Odeio esnobismo. Odeio quem responde perguntas retóricas. Odeio refrigerante. Odeio ser ignorada.
Mas...
Eu tenho um amigo.
Com quem não me importaria de passar todo meu tempo livre.
Adoro suas piadas particulares. Adoro saber o que se passa em sua mente.
Adoro seu perfume e adoro suas camisas velhas.
Adoro seu guarda roupa bagunçado e adoro seu cabelo cacheado.
Adoro quando sua mão toca na minha.
Adoro o cheiro e o gosto de café forte.
Adoro ficar rouca. Adoro chuva no fim da tarde.
Adoro ficar só, mas odeio me sentir só.
Adoro ser lembrada quando acho que fui esquecida. Adoro mensagens antes de dormir.
Adoro o fato de você ter finalmente percebido. E de ter voltado.
E agora, não é só uma memória. Não é mais.
E odeio ficar presa no trânsito.
Odeio o som de unhas arranhando tecidos e odeio cheiro de grama recém cortada.
Odeio bebidas quentes no almoço, odeio quando minha unha prende na roupa.
Odeio chegar nos lugares cedo demais e odeio ficar mexendo no meu celular por não saber como agir.
Odeio perder as chaves. Odeio meus vizinhos ouvindo música ruim no último volume.
Odeio comer doces e sentir culpa depois. Na verdade, só odeio a culpa, e não o açúcar.
Odeio esnobismo. Odeio quem responde perguntas retóricas. Odeio refrigerante. Odeio ser ignorada.
Mas...
Eu tenho um amigo.
Com quem não me importaria de passar todo meu tempo livre.
Adoro suas piadas particulares. Adoro saber o que se passa em sua mente.
Adoro seu perfume e adoro suas camisas velhas.
Adoro seu guarda roupa bagunçado e adoro seu cabelo cacheado.
Adoro quando sua mão toca na minha.
Adoro o cheiro e o gosto de café forte.
Adoro ficar rouca. Adoro chuva no fim da tarde.
Adoro ficar só, mas odeio me sentir só.
Adoro ser lembrada quando acho que fui esquecida. Adoro mensagens antes de dormir.
Adoro o fato de você ter finalmente percebido. E de ter voltado.
E agora, não é só uma memória. Não é mais.
sábado, 23 de abril de 2011
Sugestão do dia
Eu e essa minha mania de conhecer uma coisa, me apaixonar imediatamente e ficar completamente viciada naquilo. Assiti hoje ''Por Uma Vida Melhor'' (Away We Go) e foi disparadamente o filme mais sincero que assisti nos últimos tempos!

O filme conta a história de um casal, Burt e , que após descobrirem que estavam ''grávidos'', procuram apoio no pais de Burt e futuros avós, uma vez que Verona é órfã desde a infância, e cresceu na companhia apenas de sua irmã. Preocupados com a necessidade de criar a futura filha (sim, é uma menina!) num ambiente onde a família esteja sempre presente, eles decidem visitar amigos e familiares que moram em várias partes do mundo para decidirem o melhor local para dar um lar ao bebê.

Burt e Verona passam por Phoenix, Madison, Miami e Montreal em busca de encontrarem o melhor lugar para iniciarem suas vidas em família. Nesse meio tempo, encontram familiares excêntricos, com maneiras nada comuns de educar seus filhos. Também se deparam com histórias emocionantes durante sua busca.

Com diálogos inteligentes - e diga-se de passagem, muito fofos! - o filme mostra exatamente como o amor deve ser: natural e verdadeiro, com muito afeto ao invés de cobranças (sem querer estabelecer nenhuma regra, mas já estabelecendo). A grande lição é que após tanto tempo, Burt e Verona finalmente descobrem o real significado da palavra lar. O filme é lindo e emocionante, vale muito a pena!

E claro, me apaixonei pelo John Krasinski, que interpreta o Burt. Além de ser um grande ator, a fofura do personagem ajudou!

A trilha sonora do filme também é fantástica, com muitas músicas do Alexi Murdoch. Essa aqui é a minha preferida:
http://www.youtube.com/watch?v=_R5IQoIYvTM
Perfeito para esse feriado cheio de chuva!

O filme conta a história de um casal, Burt e , que após descobrirem que estavam ''grávidos'', procuram apoio no pais de Burt e futuros avós, uma vez que Verona é órfã desde a infância, e cresceu na companhia apenas de sua irmã. Preocupados com a necessidade de criar a futura filha (sim, é uma menina!) num ambiente onde a família esteja sempre presente, eles decidem visitar amigos e familiares que moram em várias partes do mundo para decidirem o melhor local para dar um lar ao bebê.

Burt e Verona passam por Phoenix, Madison, Miami e Montreal em busca de encontrarem o melhor lugar para iniciarem suas vidas em família. Nesse meio tempo, encontram familiares excêntricos, com maneiras nada comuns de educar seus filhos. Também se deparam com histórias emocionantes durante sua busca.

Com diálogos inteligentes - e diga-se de passagem, muito fofos! - o filme mostra exatamente como o amor deve ser: natural e verdadeiro, com muito afeto ao invés de cobranças (sem querer estabelecer nenhuma regra, mas já estabelecendo). A grande lição é que após tanto tempo, Burt e Verona finalmente descobrem o real significado da palavra lar. O filme é lindo e emocionante, vale muito a pena!

E claro, me apaixonei pelo John Krasinski, que interpreta o Burt. Além de ser um grande ator, a fofura do personagem ajudou!

A trilha sonora do filme também é fantástica, com muitas músicas do Alexi Murdoch. Essa aqui é a minha preferida:
http://www.youtube.com/watch?v=_R5IQoIYvTM
Perfeito para esse feriado cheio de chuva!
terça-feira, 22 de março de 2011
Conversa de botas batidas
-E foi assim. Assim acabamos antes mesmo de começarmos de fato.
-Sempre digo isso: só se pode cobrar de um relacionamento quando realmente se está em um.
-Mas o que faltava? Para mim era tão claro e simples, tão nítido. Simplesmente existia, estava lá.
-Convenhamos, vocês não tinham muito em comum.
-Afinidade acontece.
-Afinidade é simpatia...
-E simpatia é quase amor!
-Cada um enxerga o que quer ver, eu acho.
-E agora eu estou com aquela sensação de que acabei de perder a última reserva de ar que eu tinha antes de me afogar. Já teve essa sensação?
-Já, e é assim mesmo. Acredita que até hoje não descobri como agir? Como se nada mais pudesse te trazer de volta a superfície.
-E onde eu me afundei?
-Acho que você tentou afogá-lo dentro de você. Com as incontáveis doses da noite passada, lembra?
-Reflexos. Mas as doses eu pude vomitar e expulsá-las de mim: e com esse sentimento, essa agonia, o que eu devo fazer? Não existe nenhum mecanismo do meu corpo que eu possa ativar e simplesmente jogar fora tudo que maltrata meu organismo, tudo que me consome por dentro. E consome pra caralho!
-Pra caralho!!!
-Toda pessoa de cabelo cheio que entrava eu achava que era ele. Assim como acho quando estou na rua, no supermercado, na fila do cinema, dormindo. Virei uma caçadora de pessoas cacheadas. Virei uma caçadora dele em todas as pessoas.
- É o mesmo princípio da tatuagem: Só o que dói, só o que sangra fica pra sempre.
-Então ficará para sempre?
-Talvez. É como dizem, todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar.
-É um sentimento de...
-Perda?
-É. Misturado com uma incapacidade, um desejo de mudar tudo, mas estou com as mãos atadas.
-Mas não está.
-Mas é assim que eu me sinto, e vivendo essa perspectiva eu posso livremente culpar o destino ou qualquer outra entidade sobrenatural que comande a história dos homens.
-Isso se chama covardia.
-Talvez. Ou fé.
-Isso tudo pelo rapaz da outra rua?
-É.
-Aquele com olhos cor de âmbar?
-Sim.
-Que gostava de você?
-Sim.
-E você não gostava?
-É.
-E agora gosta?
-É.
-E agora ele está com outra?
-Sim.
-E qual o motivo de você tê-lo deixado ir?
-Não existe um monossílabo para responder isso!
Silêncio.
Por isso para dar certo é necessário verdade. Isso, coloque verdade, em doses imensas. Inclua frases como: “já viu como a lua está linda hoje?” ou “eu adoro dias frios” ou “hahaha”, mas, principalmente, esta: “gostou? Fui eu que fiz”.
E principalmente, o entregue a uma só pessoa. E não faça dessa pessoa o seu mundo inteiro, mas pelo menos preencha partes enormes com ela. E isso será chamado amor.
-Sempre digo isso: só se pode cobrar de um relacionamento quando realmente se está em um.
-Mas o que faltava? Para mim era tão claro e simples, tão nítido. Simplesmente existia, estava lá.
-Convenhamos, vocês não tinham muito em comum.
-Afinidade acontece.
-Afinidade é simpatia...
-E simpatia é quase amor!
-Cada um enxerga o que quer ver, eu acho.
-E agora eu estou com aquela sensação de que acabei de perder a última reserva de ar que eu tinha antes de me afogar. Já teve essa sensação?
-Já, e é assim mesmo. Acredita que até hoje não descobri como agir? Como se nada mais pudesse te trazer de volta a superfície.
-E onde eu me afundei?
-Acho que você tentou afogá-lo dentro de você. Com as incontáveis doses da noite passada, lembra?
-Reflexos. Mas as doses eu pude vomitar e expulsá-las de mim: e com esse sentimento, essa agonia, o que eu devo fazer? Não existe nenhum mecanismo do meu corpo que eu possa ativar e simplesmente jogar fora tudo que maltrata meu organismo, tudo que me consome por dentro. E consome pra caralho!
-Pra caralho!!!
-Toda pessoa de cabelo cheio que entrava eu achava que era ele. Assim como acho quando estou na rua, no supermercado, na fila do cinema, dormindo. Virei uma caçadora de pessoas cacheadas. Virei uma caçadora dele em todas as pessoas.
- É o mesmo princípio da tatuagem: Só o que dói, só o que sangra fica pra sempre.
-Então ficará para sempre?
-Talvez. É como dizem, todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar.
-É um sentimento de...
-Perda?
-É. Misturado com uma incapacidade, um desejo de mudar tudo, mas estou com as mãos atadas.
-Mas não está.
-Mas é assim que eu me sinto, e vivendo essa perspectiva eu posso livremente culpar o destino ou qualquer outra entidade sobrenatural que comande a história dos homens.
-Isso se chama covardia.
-Talvez. Ou fé.
-Isso tudo pelo rapaz da outra rua?
-É.
-Aquele com olhos cor de âmbar?
-Sim.
-Que gostava de você?
-Sim.
-E você não gostava?
-É.
-E agora gosta?
-É.
-E agora ele está com outra?
-Sim.
-E qual o motivo de você tê-lo deixado ir?
-Não existe um monossílabo para responder isso!
Silêncio.
Por isso para dar certo é necessário verdade. Isso, coloque verdade, em doses imensas. Inclua frases como: “já viu como a lua está linda hoje?” ou “eu adoro dias frios” ou “hahaha”, mas, principalmente, esta: “gostou? Fui eu que fiz”.
E principalmente, o entregue a uma só pessoa. E não faça dessa pessoa o seu mundo inteiro, mas pelo menos preencha partes enormes com ela. E isso será chamado amor.
terça-feira, 15 de março de 2011
Carta à Amizade Colorida
Olhe, não acho que a melhor forma de se iniciar uma carta seja lançando críticas ao destinatário, mas você fez por merecer. Nós duas sabemos como a sua chegada, quase sempre silenciosa, tem efeitos bem mais dolorosos do que aparenta.
Sim, eu sei. Existe – e sempre existirá – a desculpa na qual você se esconde: era só amizade. Mas na verdade, ambas conhecemos as conseqüências dos seus atos impensados. Ora, amizade e amor já são sentimentos tão absurdamente confusos se pensados isoladamente, e a senhorita os junta por puro prazer! Que justiça há nisso?
Aposto que você tem apoio de outro rapazinho que faz graça das sensações que provoca nos homens e mulheres: o Tesão. Sim, ele mesmo. Esse tolo inconseqüente que é capaz de deixar-nos embaraçados na frente de nossos chefes, vizinhos, primos e sabe-se lá quem será a próxima vítima. E aparece sem aviso prévio: seu ataque pode chegar em pleno almoço de domingo, na ceia de natal e, Deus me perdoe – até na Igreja! Somos meras marionetes humanas sujeitas ao seu repentino aparecimento.
Gostaria de saber também se a Depressão não se manifesta diante de tal comportamento abusivo. Afinal, a Depressão é uma senhora cansada, e é de conhecimento geral que quando o Tesão nos leva a fazer coisas impulsivas, o que nos resta depois da diversão é só a dor. E aí vem o trio que cerca os corações aflitos: a Desesperança, a Mágoa e o Medo. Este último nos faz mergulhar em calabouços e armadilhas articuladas pela nossa própria mente, tão propensa a imaginar finais felizes em situações onde não existe espaço para estes. E quando nos damos conta da arapuca em que nos metemos... Simplesmente não há o que fazer. Foi tudo tão rápido, tão claro, tão simples... Como respirar. Como se vê, simples começa com ‘sim’, e essa aceitação é o necessário para levar fantasias com finais trágicos adiante. Essa miopia seletiva, esse daltonismo afetivo...
Ainda estou na puberdade mental, meu cérebro ainda está mudando de voz, deve ser isso.
É um mal terrível da nossa geração, não é? Refiro-me a essa máscara inerente ao comportamento humano que está cada vez mais entranhada na nossa personalidade. Fingimos o que não sentimos e sentimos o que fingimos; essa ciranda que sempre termina em dor, dor e mais dor. E assim, disfarçando interesses sinceros por trás da suposta ‘’amizade colorida’’ penetramos cada vez mais num submundo unilateral, onde uma das partes realmente ama o todo, e não pela metade, e a outra ama apenas o jogo.
Então aqui vai um apelo: eu sei, você ainda é nova e inexperiente. Tem muitos anos pela frente para perder tempo desapontando-se com a falta de honestidade presente nas relações afetivas. Por isso que eu peço, por carregar o peso da vivência humana: mantenha-se longe. Porque a excitação do princípio não supera o sofrimento do fim. Sim, existem os raros casos em que de você, cara amizade colorida, surgem amores duradouros. Mas não estamos trabalhando estatisticamente, não é? Sejamos objetivas; sua presença traz em abundância dor e solidão, mesclada com pequenos focos de satisfação e contentamento.
Se você acha que algum pobre coração cairá nas suas garras, vá em frente. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar o meu daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
E como diz um sábio verso bem conhecido, ''não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais''.
Sim, eu sei. Existe – e sempre existirá – a desculpa na qual você se esconde: era só amizade. Mas na verdade, ambas conhecemos as conseqüências dos seus atos impensados. Ora, amizade e amor já são sentimentos tão absurdamente confusos se pensados isoladamente, e a senhorita os junta por puro prazer! Que justiça há nisso?
Aposto que você tem apoio de outro rapazinho que faz graça das sensações que provoca nos homens e mulheres: o Tesão. Sim, ele mesmo. Esse tolo inconseqüente que é capaz de deixar-nos embaraçados na frente de nossos chefes, vizinhos, primos e sabe-se lá quem será a próxima vítima. E aparece sem aviso prévio: seu ataque pode chegar em pleno almoço de domingo, na ceia de natal e, Deus me perdoe – até na Igreja! Somos meras marionetes humanas sujeitas ao seu repentino aparecimento.
Gostaria de saber também se a Depressão não se manifesta diante de tal comportamento abusivo. Afinal, a Depressão é uma senhora cansada, e é de conhecimento geral que quando o Tesão nos leva a fazer coisas impulsivas, o que nos resta depois da diversão é só a dor. E aí vem o trio que cerca os corações aflitos: a Desesperança, a Mágoa e o Medo. Este último nos faz mergulhar em calabouços e armadilhas articuladas pela nossa própria mente, tão propensa a imaginar finais felizes em situações onde não existe espaço para estes. E quando nos damos conta da arapuca em que nos metemos... Simplesmente não há o que fazer. Foi tudo tão rápido, tão claro, tão simples... Como respirar. Como se vê, simples começa com ‘sim’, e essa aceitação é o necessário para levar fantasias com finais trágicos adiante. Essa miopia seletiva, esse daltonismo afetivo...
Ainda estou na puberdade mental, meu cérebro ainda está mudando de voz, deve ser isso.
É um mal terrível da nossa geração, não é? Refiro-me a essa máscara inerente ao comportamento humano que está cada vez mais entranhada na nossa personalidade. Fingimos o que não sentimos e sentimos o que fingimos; essa ciranda que sempre termina em dor, dor e mais dor. E assim, disfarçando interesses sinceros por trás da suposta ‘’amizade colorida’’ penetramos cada vez mais num submundo unilateral, onde uma das partes realmente ama o todo, e não pela metade, e a outra ama apenas o jogo.
Então aqui vai um apelo: eu sei, você ainda é nova e inexperiente. Tem muitos anos pela frente para perder tempo desapontando-se com a falta de honestidade presente nas relações afetivas. Por isso que eu peço, por carregar o peso da vivência humana: mantenha-se longe. Porque a excitação do princípio não supera o sofrimento do fim. Sim, existem os raros casos em que de você, cara amizade colorida, surgem amores duradouros. Mas não estamos trabalhando estatisticamente, não é? Sejamos objetivas; sua presença traz em abundância dor e solidão, mesclada com pequenos focos de satisfação e contentamento.
Se você acha que algum pobre coração cairá nas suas garras, vá em frente. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar o meu daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
E como diz um sábio verso bem conhecido, ''não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais''.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Vivo questionando o presente. Perdida nessa mania de divergir das leis do dia a dia, quero brincar de Deus e antecipar o futuro. Reflito se seria preferível viver dias mornos por toda a minha vida, com felicidade moderada e tristeza sob medida ou arriscar todas as fichas e sentir uns momentos de pleno êxtase e outros de perturbadora infelicidade.
Talvez a primeira opção seja o melhor caminho. Viver uma constante inconstância, lidar com dois pesos e duas medidas é um desrespeito à sanidade. Saber que embora o hoje seja de surreal contentamento, o amanhã pode surpreender com um balde de água fria em nossos corações aquecidos. Equilibrar-se numa corda bamba, sambar de salto de agulha, ignorar o metodismo... Pode ser um sério risco.
Mas também pode ser a melhor coisa de uma vida.
Comemorar com os amigos as boas notícias, ter consolo e ombros para chorar, falar coisas impensadas e depois desculpar-se pelos mal feitos, rir das piadas boas e fazer graça das ruins, sentir o gosto da vitória e erguer a cabeça após as derrotas, vibrar e chorar, perder e ganhar... Sempre uma via de mão dupla. E assim amadurecemos e quando estamos fortes o bastante, caímos de novo. E levantamos.
E assim a vida segue, fácil como respirar.
Talvez a primeira opção seja o melhor caminho. Viver uma constante inconstância, lidar com dois pesos e duas medidas é um desrespeito à sanidade. Saber que embora o hoje seja de surreal contentamento, o amanhã pode surpreender com um balde de água fria em nossos corações aquecidos. Equilibrar-se numa corda bamba, sambar de salto de agulha, ignorar o metodismo... Pode ser um sério risco.
Mas também pode ser a melhor coisa de uma vida.
Comemorar com os amigos as boas notícias, ter consolo e ombros para chorar, falar coisas impensadas e depois desculpar-se pelos mal feitos, rir das piadas boas e fazer graça das ruins, sentir o gosto da vitória e erguer a cabeça após as derrotas, vibrar e chorar, perder e ganhar... Sempre uma via de mão dupla. E assim amadurecemos e quando estamos fortes o bastante, caímos de novo. E levantamos.
E assim a vida segue, fácil como respirar.
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