
O tempo passará, mas é necessário que as pessoas deixem-se levar com ele?
Hoje eu percebi quão efêmeras são as coisas. Rotineiras. Estão ali, tão repetitivas e cravadas em nosso inconsciente como brasa que não nos damos conta do quanto são passageiras. E não será tudo assim, afinal? Um amontoado de momentos que formarão lembranças que um dia vão doer no peito?
E agora a dor pesa, pisa com salto de agulha. O ar parece que vai faltar; não falta. A pele parece que vai rasgar; não rasga.
Tudo faz-se escuro. Mas o som dos passos contra o piso continuam, cada dia menos fortes, cada dia mais cansados, cada dia menos passos.
Os ombros curvam-se, pesados. Eles carregarão a plenitude da culpa de uma vida não vivida. É sempre pouca sorte, é sempre muito ao norte, e é coberto de areia.
É sempre pouca veia - e muito sangue.