Escrevi alguns versos tortos pensando bastar para que você retorne. O peso de algumas palavras não ditas surtia efeito; precisava dizer que sentia falta. Precisava dizer que gostava. O quanto gostava. Das conversas, da paz que me traz, do modo como seu sorriso imobiliza e derrete até os corações mais frígidos. Apenas dizer que te tinha apreço - pode ser por mais um dia, um mês, um ano ou várias vidas. Já sei que me dôo demais e dôo por dentro; aceito o fim só por hoje. Ou partir de hoje. O tormento que me causava sempre foi como apnéia - tira o sossego, a calma e a respiração. Lidei com duas faces: só o tinha em minha ausência e só me achava em sua presença. Sendo assim, chamei-o diamante - cegou-me os olhos e tornou-se foco - fez com que se tornasse belo, nosso, tornou-se assim nosso elo. Diamante que é a pedra mais dura e resistente, e deriva do grego "inconquistável". Era você, fixo em seu pedestal, três andares acima de mim. Hoje vejo que essa suposta superioridade ruiu, como roda-viva. Inteira, vejo com mais clareza. Não foi a recusa do convívio que me trouxe paz; meus valores, mesmo quando colocados contra os seus, se situavam também a partir deles. Não, foi algo a mais. Foi amor próprio. E agora você me chama. Já tracei um novo caminho, vejo a estupidez de retornar alguns passos. Uma vez experimentada, essa liberdade me ganhou... Só não entendo o porquê do só me querer tão só. Posso ser mais minha?
Como disse, "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais."
Nenhum comentário:
Postar um comentário