Hoje conheci um velho amigo.
Não, não existe nenhum erro na frase acima. Foi exatamente o que quis dizer. Talvez a interpretação demore a vir corretamente, então dê-me a chance de esclarecer meus pensamentos; tenho essa mania de falar – ou melhor, escrever – como se o que estivesse cravado em meu íntimo fosse também exposto para os demais. Na verdade, o reconheci. Raras são as ocasiões em que as pessoas relacionam-se com outras, de carne, osso e coração – normalmente, interagimos com projeções, produtos perfeitos de nossa imaginação fantasiosa. Dessa forma, evoluímos um quadro de afeição para amor em segundos; certo alguém é tão alegre, vivo e espirituoso! Parece absurdo que tenha demorado tanto para encontra-lo. Alguém tão milimetricamente desenvolvido para mim. Com todas minhas mínimas exigências e desejos atendidos. Até as imperfeições feitas sob medida; a risada rouca e o humor ácido. Aquilo que vai me tirar do sério e trazer a loucura necessária – o descanso do perfeito. Todos precisamos de alguém para nos enlouquecer. Esqueça o sexo, a língua e a tradição - só duas coisas nesse mundo são capazes de nos igualar: o amor e a loucura. O que é quase um pleonasmo.
Voltamos a minha mais recente descoberta. Meu querido desconhecido. De longa data.
Tenho essa estranha mania, quase uma síndrome, de explicar-me para estranhos. Bem, talvez nem tanto, talvez – num mundo no qual as coisas façam sentido e eu não seja apenas mais uma alma atormentada que sente saudade sabe-se lá do quê e lancha aspirina – eu apenas soubesse que ele não era apenas um qualquer que eu conheci num café, mesmo que fosse. Droga, isso soa brega. Pulando o momento constrangedor no qual confundo um simples encontro casual com algum evento cósmico e sobrenatural (ou pior ainda, uma ocasião escrita por alguma entidade espiritual – isso porque não consigo ser mesquinha o suficiente para acreditar que Deus estivesse desperdiçando seus divinos segundos preciosos com minhas besteiras mundanas), o fato é que em um momento estava perguntando se aquele era um livro de Anne Rice e no momento seguinte estávamos discutindo sobre as concepções do mundo moderno. E aquilo parecia fantasticamente certo. Como deve parecer.
Talvez devesse ser assim. A sutil diferença de ler uma coisa nos livros, vê-la nos filmes e de fato vivenciá-la. Refiro-me à inconsistência – não aquela que simula a admiração, mas aquela que avassala o sentir. Não quero uma alusão à ilusão dos que acreditam em momentos e corações destinados, mas vai um aviso aos desencontrados: o que tem que surgir, surge.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Diamante
Escrevi alguns versos tortos pensando bastar para que você retorne. O peso de algumas palavras não ditas surtia efeito; precisava dizer que sentia falta. Precisava dizer que gostava. O quanto gostava. Das conversas, da paz que me traz, do modo como seu sorriso imobiliza e derrete até os corações mais frígidos. Apenas dizer que te tinha apreço - pode ser por mais um dia, um mês, um ano ou várias vidas. Já sei que me dôo demais e dôo por dentro; aceito o fim só por hoje. Ou partir de hoje. O tormento que me causava sempre foi como apnéia - tira o sossego, a calma e a respiração. Lidei com duas faces: só o tinha em minha ausência e só me achava em sua presença. Sendo assim, chamei-o diamante - cegou-me os olhos e tornou-se foco - fez com que se tornasse belo, nosso, tornou-se assim nosso elo. Diamante que é a pedra mais dura e resistente, e deriva do grego "inconquistável". Era você, fixo em seu pedestal, três andares acima de mim. Hoje vejo que essa suposta superioridade ruiu, como roda-viva. Inteira, vejo com mais clareza. Não foi a recusa do convívio que me trouxe paz; meus valores, mesmo quando colocados contra os seus, se situavam também a partir deles. Não, foi algo a mais. Foi amor próprio. E agora você me chama. Já tracei um novo caminho, vejo a estupidez de retornar alguns passos. Uma vez experimentada, essa liberdade me ganhou... Só não entendo o porquê do só me querer tão só. Posso ser mais minha?
Como disse, "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais."
Como disse, "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais."
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