Eu soube, naquele momento. Não tinha me enganado. A lembrança mais doce tornou-se também a mais triste. Agora já não existe mais razão, orgulho ou outra emoção racionalizada: sou toda coração. A metade de mim que era silêncio desintegrou-se quando me entreguei - e por essa redenção, passei a colecionar anseios e momentos.
Alguns demônios foram despertados dentro de mim - não se engane, todos temos - e eles sufocaram minhas reações por tempo demais. Não arrisco dizer ter a receita da cura, mas ao menos tenho encontrado quem é de bem, e cultiva um pouco de conforto pra calar o desespero.
Estou lendo antigos textos, ouvindo discos que já nem lembrava, tirando os álbuns velhos da estante. Tudo isso na esperança de recordar a vida que tive antes dessa bola de neve. Toda uma vida, antes de você. Adquiri você como vício, por escolha própria. Quero riscar no meu calendário os dias que passei em abstinência. Abstinência de você. Assumindo minha atonia. Não enxergo mais o propósito.
Hoje não queria pensar assim. Não vou. Quero dar um tempo dessa coisa chata de ser madura, que consome todo o meu tempo. Prefiro fazer história. Eu quero seu silêncio. Contraditório, não? Sempre lamentei seus dias monossilábicos. Mas hoje existem tantas outras linguaguens para fazermos uso. Hoje pra mim é carnaval. Quero desfilar a vida.
Ainda tem espaço - na casa, no coração. O tempo não me faz esquecer nada; só tira o inesquecível do foco. E quando eu lembro das palavras ditas, das não ditas, e algumas memórias em particular que vinculo à sentimentos reclusos, me dá uma saudade irracional de você.
Todas as formas de controle só trazem um amor vazio. Então não se surpreenda com um telefonema. Amanhã desperdiçaremos horas lamentando como fomos impulsivos. Mas hoje, só quero dançar com você.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Infortúnio.
E assim teve o início de um ciclo de sucessivos encontros desencontrados. Nunca abriram mão do lado seguro da calçada, nunca arriscaram alguns passos para longe do terreno conhecido. Mal se olharam, jamais se falaram; pareciam tão íntimos, porém. Simetricamente compatíveis. Completavam frases silenciosas. Partilhavam dos mesmos pensamentos, gostos e gestos. Reconheciam-se em frases musicadas.
No entanto, tentar parecia exigir demais. Era preciso coragem, tempo e paciência que não despunham. Desprender tanto em nome do incerto. Sem garantias ou falsas promessas. Ela sucumbia por tão pouco ao se sentir vulnerável, ignorada. Ele desconhecia o quão controverso era em suas ações, ignorante. Não existia em parte alguma um roteiro a ser seguido. Era um dia de cada vez, aliciando os maiores desejos nesse redemoinho de sensações. O que havia de mais tentador, e havia demais. Existiam outras tantas verdades presas em seu interior - e reter tudo dentro de si já não era eficaz, mas outra solução não era apresentada. E aí vinham de todos os lados, de ponta a ponta, doses de profunda dor. O coração era taquicárdico, o estômago despencava aos montes, as palavras surgiam mas a língua era áspera. Ela estava decidida: se dentro dela não mais cabe, acabe. Ele estava temeroso, como tantos tontos que não sabem lidar com o que lhes é ofertado.
Antes que se tornasse um estranho aos seus próprios olhos, surgiu o princípio da desistência. E quem ele conhece passou a ser quem ele conhecia. Num rodapé, as palavras brilhavam contra a luz: ''quem é você que me esqueceu, cadê você que eu não esqueço...''.
No entanto, tentar parecia exigir demais. Era preciso coragem, tempo e paciência que não despunham. Desprender tanto em nome do incerto. Sem garantias ou falsas promessas. Ela sucumbia por tão pouco ao se sentir vulnerável, ignorada. Ele desconhecia o quão controverso era em suas ações, ignorante. Não existia em parte alguma um roteiro a ser seguido. Era um dia de cada vez, aliciando os maiores desejos nesse redemoinho de sensações. O que havia de mais tentador, e havia demais. Existiam outras tantas verdades presas em seu interior - e reter tudo dentro de si já não era eficaz, mas outra solução não era apresentada. E aí vinham de todos os lados, de ponta a ponta, doses de profunda dor. O coração era taquicárdico, o estômago despencava aos montes, as palavras surgiam mas a língua era áspera. Ela estava decidida: se dentro dela não mais cabe, acabe. Ele estava temeroso, como tantos tontos que não sabem lidar com o que lhes é ofertado.
Antes que se tornasse um estranho aos seus próprios olhos, surgiu o princípio da desistência. E quem ele conhece passou a ser quem ele conhecia. Num rodapé, as palavras brilhavam contra a luz: ''quem é você que me esqueceu, cadê você que eu não esqueço...''.
domingo, 4 de setembro de 2011
Je ne regrette rien
Honestamente? Sigo nessa droga de estrada.
Se voltasse um dia no tempo, poderia me escutar repetindo culposamente, esbravejando para o mundo o quanto odeio me sentir dessa forma. Algo aconteceu hoje. Nas últimas 24 horas passei a gostar de mim assim. Pelo simples fato de estar disposta a esvaziar a casa, libertar cada cômodo, arejar um pouco. Recuar alguns passos pode ser um ato de coragem, em certos casos. Acho que me encaixo num deles. Aposto na necessidade latente de amarmos a nós mesmos com mais afinco. As pessoas confundem amor próprio com egocentrismo, e este é um erro lamentável. Devemos nos amar. Não o tipo de amor que exulta o alter ego, mas aquele amor que alimenta a ambição, o "querer mais" pelo simples e inegável fato de que merecemos isso. Quem está há muito tempo habituado à sua pr;pria imagem - mesmo que insatisfatória - acaba por esquecer o olhar dos outros sobre si. É uma obviedade que caracteriza um estado patológico.
Mascaramos todos os dias mil verdades íntimas. Esquecemos de buscar dentro de nós a cisão entre essência e existência. Esse dualismo mente-corpo pode se absurdamente confuso para uma mente pouco estruturada.
É evidente que algo ficará. Resquícios sempre ficam, não há esforço capaz de apagá-los. Não vou removê-los, no entanto não mais me arrisco a remoê-los; pertencem à memória, e serão palco para novos acasos. Vou colecionar finais. Vou perpetuar nessa roda-gigante, e isso me levará além. Pode ser que não exista nada a me acrescentar, mas igualmente nada será capaz de me diminuir.
Talvez por isso esteja profundamente viciada em pessoas perdidas. O ser humano sempre busca repouso em seus similares.
Se voltasse um dia no tempo, poderia me escutar repetindo culposamente, esbravejando para o mundo o quanto odeio me sentir dessa forma. Algo aconteceu hoje. Nas últimas 24 horas passei a gostar de mim assim. Pelo simples fato de estar disposta a esvaziar a casa, libertar cada cômodo, arejar um pouco. Recuar alguns passos pode ser um ato de coragem, em certos casos. Acho que me encaixo num deles. Aposto na necessidade latente de amarmos a nós mesmos com mais afinco. As pessoas confundem amor próprio com egocentrismo, e este é um erro lamentável. Devemos nos amar. Não o tipo de amor que exulta o alter ego, mas aquele amor que alimenta a ambição, o "querer mais" pelo simples e inegável fato de que merecemos isso. Quem está há muito tempo habituado à sua pr;pria imagem - mesmo que insatisfatória - acaba por esquecer o olhar dos outros sobre si. É uma obviedade que caracteriza um estado patológico.
Mascaramos todos os dias mil verdades íntimas. Esquecemos de buscar dentro de nós a cisão entre essência e existência. Esse dualismo mente-corpo pode se absurdamente confuso para uma mente pouco estruturada.
É evidente que algo ficará. Resquícios sempre ficam, não há esforço capaz de apagá-los. Não vou removê-los, no entanto não mais me arrisco a remoê-los; pertencem à memória, e serão palco para novos acasos. Vou colecionar finais. Vou perpetuar nessa roda-gigante, e isso me levará além. Pode ser que não exista nada a me acrescentar, mas igualmente nada será capaz de me diminuir.
Talvez por isso esteja profundamente viciada em pessoas perdidas. O ser humano sempre busca repouso em seus similares.
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