Eu soube, naquele momento. Não tinha me enganado. A lembrança mais doce tornou-se também a mais triste. Agora já não existe mais razão, orgulho ou outra emoção racionalizada: sou toda coração. A metade de mim que era silêncio desintegrou-se quando me entreguei - e por essa redenção, passei a colecionar anseios e momentos.
Alguns demônios foram despertados dentro de mim - não se engane, todos temos - e eles sufocaram minhas reações por tempo demais. Não arrisco dizer ter a receita da cura, mas ao menos tenho encontrado quem é de bem, e cultiva um pouco de conforto pra calar o desespero.
Estou lendo antigos textos, ouvindo discos que já nem lembrava, tirando os álbuns velhos da estante. Tudo isso na esperança de recordar a vida que tive antes dessa bola de neve. Toda uma vida, antes de você. Adquiri você como vício, por escolha própria. Quero riscar no meu calendário os dias que passei em abstinência. Abstinência de você. Assumindo minha atonia. Não enxergo mais o propósito.
Hoje não queria pensar assim. Não vou. Quero dar um tempo dessa coisa chata de ser madura, que consome todo o meu tempo. Prefiro fazer história. Eu quero seu silêncio. Contraditório, não? Sempre lamentei seus dias monossilábicos. Mas hoje existem tantas outras linguaguens para fazermos uso. Hoje pra mim é carnaval. Quero desfilar a vida.
Ainda tem espaço - na casa, no coração. O tempo não me faz esquecer nada; só tira o inesquecível do foco. E quando eu lembro das palavras ditas, das não ditas, e algumas memórias em particular que vinculo à sentimentos reclusos, me dá uma saudade irracional de você.
Todas as formas de controle só trazem um amor vazio. Então não se surpreenda com um telefonema. Amanhã desperdiçaremos horas lamentando como fomos impulsivos. Mas hoje, só quero dançar com você.
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