Cresci acreditando que tínhamos um limite pré estabelecido para tudo.
Só se deve comer um chocolate por dia. Café à noite faz mal. Ficar acordada só até às 23h. Não devemos chorar pelos cantos, mas também não é natural estar sempre sorrindo. Felicidade demais incomoda.
Alguém nos disse que só era possível ser feliz se fôssemos sociáveis e bonitos a todo instante, não importa o quanto o seu interior esteja feio. Seu eu pode estar dilacerado, mas ninguém desconfiará se conservar um sorriso no rosto, por mais vazio que este seja.
Não gosto da ideia de que alguém me completará algum dia, como se tivesse nascido pela metade. E vim de forma a contibuir para que não depositem em mim nada que já não seja meu, não gosto do peso e do quanto pesa. Gosto de dividir; muitas vezes dividir é multiplicar.
Não gosto de viver na sombra, mas não almejo o estrelato; quero alguém para estar na mesma página. Assim qualquer pessoa poderá enlouquecer. Afinal, é isso que nos iguala, que passa por cima de religião, cor. Ocidente e Oriente, das línguas. A loucura, assim como o amor, iguala. A loucura e o amor. O que dá no mesmo.
Porque é esse amor verdadeiro que persiste, que se esgueira em todos os pensamentos e torna-se a substância, ou, como diriam nossos pais, o estofo da vida. Direi: ‘Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração’.
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