Não sei por que cargas d’água adquiri esse vício. Possivelmente algum trauma de infância, ou simplesmente o complexo de filha caçula com pretensões de ser eternamente adulada. Não sei dizer qual foi a falha, aquele momento chave no qual comecei a usar os outros como escudo. A usar a mim mesma como escudo. A pensar mais e sentir menos.
Mas uma certeza, no meio a tantas incertezas, é que eu me transformei numa devoradora de emoções. Desaprendi o lema de ‘‘um dia de cada vez’’, uma vez que no dia seguinte já não é mais aquilo que eu quero. Nada daquilo. Nem uma partezinha. O objetivo – único e exclusivo – é apenas conseguir. E quando eu consigo, não existe mais nenhum desafio. Essa necessidade se ser posta a prova me leva a não querer mais, e por não querer mais, a iniciar um outro ciclo com mesmo desfecho.
Acho que sou viciada em culpa. Encaro relacionamentos como roupas: quando novas, são merecedoras de toda a minha atenção, e eu poderia passar horas apenas observando-as. Não passo, mas poderia. Então eu as uso, e por mais que ainda conservem um cheirinho de recém compradas, após a terceira lavagem eu as coloco no fundo da prateleira, perdidas no esquecimento. São velhas, portanto desgastadas. Então, entorpecida por esse consumismo-afetivo desenfreado, migro de loja em loja em busca da próxima peça. Até o momento em que vejo uma foto antiga, e penso: ‘’não é que essa blusa me caía bem?’’ E essa é a hora em que tateio a gaveta e recupero aquilo que estava fadado ao passado.
Mas logo me arrependo. Maldita blusa. Como ela pode surgir do nada, estimulando toda a minha excitação, e sem explicação alguma, na primeira vez que dou a chance de circular na luz do sol e perder o cheiro de naftalina, ela se torna totalmente inapropriada? De repente se tornou larga demais para mim, ou eu me tornei pequena demais para ela. Talvez esse tecido esteja fora de moda. Chego em casa absolutamente decida a me livrar dela.
Mas... Pensando bem, passamos bons momentos juntas.
Estive com ela naquele show da minha banda favorita. Assistimos filmes juntas na casa de um amigo. Ela visitou lugares que não gostaria de perder na memória. Nossa memória é uma coisa engraçada. A minha é, pelo menos. Ela tem essa mania de guardar lembranças boas para momentos inoportunos – como aqueles em que deveria colocar um ponto final nas coisas e extirpar esse câncer – e as mágoas para momentos oportunos, a exemplo daqueles que estou lendo um bom livro e me pego contemplando a parede. E a parede passa a me observar, também. E passamos a dialogar. E no segundo em que começo a ouvir seus conselhos, percebo o quanto a solidão pode ser perturbadora.
Então eu guardo novamente a blusa no meu armário. Ele é grande, arejado: tem espaço para mais uma. Uma de estimação, um pequeno mimo.
Em meio a esse jogo, passo a odiar a blusa. Rezo para todas as entidades espirituais pedindo aquele empurrãozinho essencial para rasgá-la com a tesoura da cozinha. Não obtenho respostas, nunca. Curioso como a parede me responde, mas nenhum retorno vem de outro plano. Acho que o cara lá de cima não aprova meu comportamento inescrupuloso. Seria eu mais culpada que os bêbados ou tabagistas? Enquadro isso como outro vício qualquer. O que seria uma redundância, já que é do conhecimento de todos que o amor é um vício.
Considero lamentável continuar com essa história, um somatório de desilusões, perdas e covardia. Sim, esta última no singular – não vou atribuí-la a ninguém além de mim. Mas ainda me classifico como uma psicótica mediana. Sei que é o receio de sofrer e depender daquele remédio que todos buscam e parece cada vez menos disponível no mercado – o tempo – que me impede de mostrar o meu lado mais bonito. Mas sei também que alguma coisa no tempo e no espaço vai me fazer mudar. Hoje eu faria qualquer coisa, se você me procurasse.
domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Maps
Faça as malas.
Não, não espero que me diga aonde vai. Nossos futuros não estão mais enraizados num mesmo plano, nossos destinos não seguem ladeados. E não adianta apelar para o sentimentalismo; nada perdura intacto através dos anos. Sempre, sempre mesmo, algo se perde no filtro da memória. Lembranças viram cinzas. Por isso não hesite... Não mude o foco.
Espere! Eu continuo a mesma. Desfaça as malas.
Eles não o amam como eu amo. Não amam o timbre da sua voz, nem a forma ininterrupta que seus cílios piscam. Não amam seus armários cheios de porcarias nem sua geladeira repleta de congelados, sei que não. Amam apenas o que é fácil, o que é conveniente. Amam suas intermináveis qualidades, e todas as outras bobagens superficiais. Mas apenas eu conheço o que descansa embaixo disso tudo. São só camadas.
Mas nem sempre foi assim. Quer saber? Refaça as malas.
Eu sei, ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Às vezes, é como ficar surpreso com o fogo queimar. Faz parte da natureza deles. Mas isso não alivia a dor. Principalmente quando você percebe que sua função era apenas preencher um vazio já existente, curar uma ferida provocada por outro. E por curar esse alguém, você é quem acaba sangrando, quando percebe que nunca se tratou de você. E nessa rotina de usurpar outros papéis você cansa de ser um dublê.
Bem, desfaça as malas.
Fique o quanto quiser. Uma vez li que insistir em quem nos ignora não é masoquismo, é inconformismo. Nada é horrível nem maravilhoso; é o mesmo principio do ying-yang. Não há mal que sempre dure ou bem que nunca acabe. Por isso decidi viver uma vida mais ou menos feliz. O intermediário não pode ser considerado bom? Não seria algo como um equilíbrio? Felicidade demais incomoda. Talvez devêssemos ser modestos, nos contentar com o mais ou menos amor. Talvez seja melhor do que uma mais ou menos solidão.
Talvez você devesse fazer as malas. Juro, não vou voltar atrás dessa vez. Finalmente percebi que essa teoria do mais-ou-menos-amor nunca se provaria verdadeira. E o porquê dessa conclusão é que na verdade, não seriamos metades exatas de um mesmo sentimento. O amor não seria fracionado. Eu o guardaria por inteiro, e você não conservaria porcentagem alguma. Mesmo num mundo em que boas coisas não me acontecem, decidi que não é justo. Comigo, com você. Então, apesar de todos os pesares, estou deixando ir. E Deus continua sussurrando que o melhor está por vir.
Não, não espero que me diga aonde vai. Nossos futuros não estão mais enraizados num mesmo plano, nossos destinos não seguem ladeados. E não adianta apelar para o sentimentalismo; nada perdura intacto através dos anos. Sempre, sempre mesmo, algo se perde no filtro da memória. Lembranças viram cinzas. Por isso não hesite... Não mude o foco.
Espere! Eu continuo a mesma. Desfaça as malas.
Eles não o amam como eu amo. Não amam o timbre da sua voz, nem a forma ininterrupta que seus cílios piscam. Não amam seus armários cheios de porcarias nem sua geladeira repleta de congelados, sei que não. Amam apenas o que é fácil, o que é conveniente. Amam suas intermináveis qualidades, e todas as outras bobagens superficiais. Mas apenas eu conheço o que descansa embaixo disso tudo. São só camadas.
Mas nem sempre foi assim. Quer saber? Refaça as malas.
Eu sei, ficar decepcionado com algumas pessoas não faz sentido. Às vezes, é como ficar surpreso com o fogo queimar. Faz parte da natureza deles. Mas isso não alivia a dor. Principalmente quando você percebe que sua função era apenas preencher um vazio já existente, curar uma ferida provocada por outro. E por curar esse alguém, você é quem acaba sangrando, quando percebe que nunca se tratou de você. E nessa rotina de usurpar outros papéis você cansa de ser um dublê.
Bem, desfaça as malas.
Fique o quanto quiser. Uma vez li que insistir em quem nos ignora não é masoquismo, é inconformismo. Nada é horrível nem maravilhoso; é o mesmo principio do ying-yang. Não há mal que sempre dure ou bem que nunca acabe. Por isso decidi viver uma vida mais ou menos feliz. O intermediário não pode ser considerado bom? Não seria algo como um equilíbrio? Felicidade demais incomoda. Talvez devêssemos ser modestos, nos contentar com o mais ou menos amor. Talvez seja melhor do que uma mais ou menos solidão.
Talvez você devesse fazer as malas. Juro, não vou voltar atrás dessa vez. Finalmente percebi que essa teoria do mais-ou-menos-amor nunca se provaria verdadeira. E o porquê dessa conclusão é que na verdade, não seriamos metades exatas de um mesmo sentimento. O amor não seria fracionado. Eu o guardaria por inteiro, e você não conservaria porcentagem alguma. Mesmo num mundo em que boas coisas não me acontecem, decidi que não é justo. Comigo, com você. Então, apesar de todos os pesares, estou deixando ir. E Deus continua sussurrando que o melhor está por vir.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Samson
Eu preciso dos seus erros. Preciso dos seus atrasos ao me buscar. Preciso dos seus suéteres rasgados. Preciso dos presentes errados que você me compra e que eu finjo que superaram minhas expectativas.
Preciso daqueles momentos embaraçosos onde você esquece o nome dos meus familiares. Preciso dos restaurantes de gosto duvidoso que você me leva. Preciso das suas composições carregadas de desalento e do seu dia-a-dia metódico. Preciso da sua paranóia. Preciso do seu ciúme dos meus amigos, primos e do meu cachorro. Preciso do cheiro do seu carro e do seu quarto. Preciso daquelas olheiras vindas de noites mal dormidas. Preciso da sua risada rouca e das inúmeras vezes que você perde o celular no banco de trás. Preciso do seu ronco ensaiado. Preciso que você complete minhas frases.
Preciso da sua barba mal feita. Preciso do seu corte de cabelo assimétrico. Preciso do seu tênis surrados, com cadarços desfiados e sujos de lama ou outra coisa qualquer. Preciso acordar e ver quinze ligações suas perdidas durante a madrugada. Preciso da sua respiração descompassada. Preciso, preciso.
Como os livros de história nos esqueceram? Deveríamos ter sido mencionados ao menos uma vez.
Você é meu mais doce erro.
Preciso daqueles momentos embaraçosos onde você esquece o nome dos meus familiares. Preciso dos restaurantes de gosto duvidoso que você me leva. Preciso das suas composições carregadas de desalento e do seu dia-a-dia metódico. Preciso da sua paranóia. Preciso do seu ciúme dos meus amigos, primos e do meu cachorro. Preciso do cheiro do seu carro e do seu quarto. Preciso daquelas olheiras vindas de noites mal dormidas. Preciso da sua risada rouca e das inúmeras vezes que você perde o celular no banco de trás. Preciso do seu ronco ensaiado. Preciso que você complete minhas frases.
Preciso da sua barba mal feita. Preciso do seu corte de cabelo assimétrico. Preciso do seu tênis surrados, com cadarços desfiados e sujos de lama ou outra coisa qualquer. Preciso acordar e ver quinze ligações suas perdidas durante a madrugada. Preciso da sua respiração descompassada. Preciso, preciso.
Como os livros de história nos esqueceram? Deveríamos ter sido mencionados ao menos uma vez.
Você é meu mais doce erro.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Mais do mesmo
Não é você.
Queria deixar isso mais do que claro, assim não restarão dúvidas entre nós. E poderemos finalmente romper essa ligação doentia que insistimos em fazer perdurar. Francamente, não é você.
Tampouco, não se engane – não sou eu. Apesar de tender a assumir os nossos erros, e não só os meus, não suporto o peso. E como pesa! As toneladas de sarcasmo, incompreensão e deslealdade me fizeram sucumbir. Fizeram-nos sucumbir. Sendo assim, vamos promover o desapego. A saída benéfica que procuramos por tanto tempo, a solução para todos os confrontos, a voz para todos os silêncios.
Eu sei, questiono demais as coisas. Mas eu nunca questionei se eu amei. Dentre todas as interrogações que circundavam meus pensamentos, nunca hesitei em assumir essa verdade incontestável. No entanto, incontáveis foram as vezes em que me perguntei se o tive. Então reuni todas as evidências, todos os momentos partilhados, e não só os recheados de boa música, pele e poesia. Revivi todo o exagero de intensidade, como em um momento tudo que eu mais desejava era cobri-lo de agrados, e no segundo seguinte eu considerava a possibilidade de estrangulá-lo com a mangueira do jardim.
E foi aí que eu percebi, não foi você. Foi apenas tudo que você representou para mim, naquela época de desencontros. Você foi meu sol particular, foi meu mundo inteiro. Foi tudo que eu sempre quis e o que mais temi. Você foi meu espelho, meu reflexo; eu pude enxergar minhas impressões em seus contornos, suas linhas. Foi minha dose de sanidade quando tudo estava fora de órbita. Eu costumava não enxergar, e essa cegueira me levou a não olhar para fora. E, por não olhar para fora, logo me acostumei a não abrir de todo as janelas. E, por não abrir as janelas, me acostumei a viver no escuro. E aí esqueci como é sentir a luz, e você trouxe isso de volta. E me trouxe de volta ao lugar ao qual sempre pertenci, mas havia me esquecido disso.
Algumas coisas vão permanecer – o cheiro, o timbre, o toque. Você sabe que eu tenho essa coisa de pele, não consigo me desfazer. Posso guardar algumas camisas? Gosto delas. Sinto-me mais eu. Sempre fui mais eu com você. Acho que descobri um novo eu.
Não me leve a mal. Só quero fazê-lo tão feliz quanto você me fez, e acredite, a melhor forma de retribuição é a liberdade. Se eu não consigo aprender a não devorá-lo e você não consegue aprender a não me sufocar, é hora de partir. Antes que só sobre respeito. É muito triste quando a admiração e o encanto acabam, tendemos a apagar tantas boas recordações para nos curarmos enquanto o tempo não se encarrega de nos recompor. E não quero apagar nada, quero conservar seus sorrisos e seus resmungos. Quero por completo.
Não sei ao certo como vou deixar você partir, como os pais que criam os filhos para o mundo. Vou querer sempre mais.
Mais do mesmo.
Mas dói mesmo.
Acho adeus uma palavra deprimente e carregada de negativismo. Então, acho que vou usar ‘‘até breve’’. Se é a melhor forma de encerrar, não sei dizer. Se existe outro jeito, eu prefiro assim.
Queria deixar isso mais do que claro, assim não restarão dúvidas entre nós. E poderemos finalmente romper essa ligação doentia que insistimos em fazer perdurar. Francamente, não é você.
Tampouco, não se engane – não sou eu. Apesar de tender a assumir os nossos erros, e não só os meus, não suporto o peso. E como pesa! As toneladas de sarcasmo, incompreensão e deslealdade me fizeram sucumbir. Fizeram-nos sucumbir. Sendo assim, vamos promover o desapego. A saída benéfica que procuramos por tanto tempo, a solução para todos os confrontos, a voz para todos os silêncios.
Eu sei, questiono demais as coisas. Mas eu nunca questionei se eu amei. Dentre todas as interrogações que circundavam meus pensamentos, nunca hesitei em assumir essa verdade incontestável. No entanto, incontáveis foram as vezes em que me perguntei se o tive. Então reuni todas as evidências, todos os momentos partilhados, e não só os recheados de boa música, pele e poesia. Revivi todo o exagero de intensidade, como em um momento tudo que eu mais desejava era cobri-lo de agrados, e no segundo seguinte eu considerava a possibilidade de estrangulá-lo com a mangueira do jardim.
E foi aí que eu percebi, não foi você. Foi apenas tudo que você representou para mim, naquela época de desencontros. Você foi meu sol particular, foi meu mundo inteiro. Foi tudo que eu sempre quis e o que mais temi. Você foi meu espelho, meu reflexo; eu pude enxergar minhas impressões em seus contornos, suas linhas. Foi minha dose de sanidade quando tudo estava fora de órbita. Eu costumava não enxergar, e essa cegueira me levou a não olhar para fora. E, por não olhar para fora, logo me acostumei a não abrir de todo as janelas. E, por não abrir as janelas, me acostumei a viver no escuro. E aí esqueci como é sentir a luz, e você trouxe isso de volta. E me trouxe de volta ao lugar ao qual sempre pertenci, mas havia me esquecido disso.
Algumas coisas vão permanecer – o cheiro, o timbre, o toque. Você sabe que eu tenho essa coisa de pele, não consigo me desfazer. Posso guardar algumas camisas? Gosto delas. Sinto-me mais eu. Sempre fui mais eu com você. Acho que descobri um novo eu.
Não me leve a mal. Só quero fazê-lo tão feliz quanto você me fez, e acredite, a melhor forma de retribuição é a liberdade. Se eu não consigo aprender a não devorá-lo e você não consegue aprender a não me sufocar, é hora de partir. Antes que só sobre respeito. É muito triste quando a admiração e o encanto acabam, tendemos a apagar tantas boas recordações para nos curarmos enquanto o tempo não se encarrega de nos recompor. E não quero apagar nada, quero conservar seus sorrisos e seus resmungos. Quero por completo.
Não sei ao certo como vou deixar você partir, como os pais que criam os filhos para o mundo. Vou querer sempre mais.
Mais do mesmo.
Mas dói mesmo.
Acho adeus uma palavra deprimente e carregada de negativismo. Então, acho que vou usar ‘‘até breve’’. Se é a melhor forma de encerrar, não sei dizer. Se existe outro jeito, eu prefiro assim.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Canção de Nós Dois
''Há mulheres que querem que seu homem seja o sol. O meu quero-o nuvem''. Não desejo que meus olhos doam ao observá-lo; quero que ele preencha meus espaços, complete meus vazios. Há mulheres que querem estar na mesma página que seus homens. Quero avançar alguns capítulos, e quero que ele me traga de volta para reviver certas páginas já gastas e reescrever outras com novo final. Quero que ele guarde meus pensamentos e entenda meus silêncios. Quero que quando eu feche os olhos ele continue comigo, protagonizando meus sonhos. E que quando eu risse ou chorasse sem motivos, ele não perguntasse o porquê, saberíamos.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Doce Solidão
Hoje eu vou estar só
Vou sair para não ter volta, e sorte de quem não estiver em minha volta
Solidão, corre que eu te alcanço! Hoje vai faltar carinho e vai sobrar carnaval
Mas não se preocupe não, amor
Que quando chegar a hora certa, eu volto.
O porquê eu já nem sei, esse lar não me completa
Mas não devemos nos encaixar como peças de um quebra-cabeças, devemos? Devemos nos bastar...
E eu voltarei não por precisar, e sim por querer! E não voltarei pela metade, voltarei inteira.
E quando eu cruzar a entrada, quero ouvir você cantar
"Quero ver a menina, (...)
O vestido... Toda vestida de flores lá vem a menina!
Quero estender um tapete vermelho pra ela."
Vou sair para não ter volta, e sorte de quem não estiver em minha volta
Solidão, corre que eu te alcanço! Hoje vai faltar carinho e vai sobrar carnaval
Mas não se preocupe não, amor
Que quando chegar a hora certa, eu volto.
O porquê eu já nem sei, esse lar não me completa
Mas não devemos nos encaixar como peças de um quebra-cabeças, devemos? Devemos nos bastar...
E eu voltarei não por precisar, e sim por querer! E não voltarei pela metade, voltarei inteira.
E quando eu cruzar a entrada, quero ouvir você cantar
"Quero ver a menina, (...)
O vestido... Toda vestida de flores lá vem a menina!
Quero estender um tapete vermelho pra ela."
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Fadados a Fingir
Hoje me dei o direito de estar chata.
Desculpa, mas não confio em gente que é feliz o tempo inteiro. Não acredito em sorrisos sinceros que duram semanas seguidas, e nem em doces palavras ditas em seqüência. Talvez por isso entendo e respeito todo e qualquer descontentamento, e os milhares de abusinhos da vida. Acredito piamente que cada um tem direito a um abusinho por dia. Mais ainda, se for um dia especialmente cansativo. Se você tiver batido o carro ou perder horas no trânsito. Se for mulher, são permitidos até dez abusinhos diários em caso de TPM.
Deveria existir um sinal, algo que indicasse a minha impaciência... Assim as pessoas estariam avisadas e não tentariam aproximação. Sim, eu moro no reino da inconveniência. E todos poderiam parar de me olhar como se eu estivesse devorando suas almas. Ou eu poderia aprender a não devorá-las.
Parece que a cada muxoxo, esse sentimento abocanha territórios cada vez maiores dentro de mim. E apesar de no fundo eu ter um coração lindo e simpático, não consigo evitar encarar as pessoas de forma que meus olhos falem algo como ‘‘sou decidida, determinada e inconseqüente. Sou rebelde.’’ A verdade é que eu finjo como uma adulta, mas sou vulnerável como uma garotinha. E isso é absolutamente natural - este senso de isolamento, de desvio, é um infeliz ritual adolescente. Mas nem sempre é assim.
Já houve um tempo em que realmente acreditei que tentar era o primeiro passo rumo ao fracasso. E que se a culpa de algo era minha, eu poderia colocá-la em quem quisesse. E que estávamos todos fadados ao fiasco. Mas aprendi que toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos.
Não se pode dizer que eu tenha desenvolvido uma paixão pelos holofotes; no entanto, não me sinto mais tão escassa, tão vazia. Sempre foram ações cada vez mais inseguras, cada vez mais falhas, cada vez menos ações. Mas, com aquele precioso remédio que cura quase tudo chamado tempo, você assimila que arriscar e cair não é tão ruim. O ruim é não arriscar. Nesse momento você entende o que realmente é beleza, e essa beleza atrai os ladrões mais que o ouro.
Desculpa, mas não confio em gente que é feliz o tempo inteiro. Não acredito em sorrisos sinceros que duram semanas seguidas, e nem em doces palavras ditas em seqüência. Talvez por isso entendo e respeito todo e qualquer descontentamento, e os milhares de abusinhos da vida. Acredito piamente que cada um tem direito a um abusinho por dia. Mais ainda, se for um dia especialmente cansativo. Se você tiver batido o carro ou perder horas no trânsito. Se for mulher, são permitidos até dez abusinhos diários em caso de TPM.
Deveria existir um sinal, algo que indicasse a minha impaciência... Assim as pessoas estariam avisadas e não tentariam aproximação. Sim, eu moro no reino da inconveniência. E todos poderiam parar de me olhar como se eu estivesse devorando suas almas. Ou eu poderia aprender a não devorá-las.
Parece que a cada muxoxo, esse sentimento abocanha territórios cada vez maiores dentro de mim. E apesar de no fundo eu ter um coração lindo e simpático, não consigo evitar encarar as pessoas de forma que meus olhos falem algo como ‘‘sou decidida, determinada e inconseqüente. Sou rebelde.’’ A verdade é que eu finjo como uma adulta, mas sou vulnerável como uma garotinha. E isso é absolutamente natural - este senso de isolamento, de desvio, é um infeliz ritual adolescente. Mas nem sempre é assim.
Já houve um tempo em que realmente acreditei que tentar era o primeiro passo rumo ao fracasso. E que se a culpa de algo era minha, eu poderia colocá-la em quem quisesse. E que estávamos todos fadados ao fiasco. Mas aprendi que toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos.
Não se pode dizer que eu tenha desenvolvido uma paixão pelos holofotes; no entanto, não me sinto mais tão escassa, tão vazia. Sempre foram ações cada vez mais inseguras, cada vez mais falhas, cada vez menos ações. Mas, com aquele precioso remédio que cura quase tudo chamado tempo, você assimila que arriscar e cair não é tão ruim. O ruim é não arriscar. Nesse momento você entende o que realmente é beleza, e essa beleza atrai os ladrões mais que o ouro.
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