Sonhei que estava exatamente aqui, olhando meu reflexo no espelho ao lado da cômoda. Engraçado, muitas são as vezes em que olhamos. Várias vezes ao dia, sempre em busca de defeitos. Nunca enxergamos de verdade, nunca temos tempo ou sensibilidade para ficarmos maravilhados com um sorriso novo, um olhar nunca visto, um trejeito adquirido.
Mas nesse sonho, eu despendia tempo suficiente para me observar, para me entender através da minha imagem. O meu rosto, subitamente, havia se transformado naquele que desejei por tanto tempo. Num momento, percebi que finalmente abocanhei o maior pedaço de mim mesma, alcancei minha real personalidade, o meu eu. Deixei de ser apenas alguém que possuía meu nome, para ser a minha dona. Pondo o máximo que conheço no mínimo que faço, sendo o mínimo que aceito no máximo que ajo. É muito chato viver nos limites daquilo que conceberam por nós, do que nos foi dito, do que nos foi pensado.
Agradeço, portanto, a quem permanecerá comigo, a quem se foi, a quem voltará, a quem não voltará e principalmente a quem sempre esteve aqui e me deixa ter a certeza de que sempre estará. A tudo que me fez transformar a utopia de ontem em carne e osso de hoje. Ao que hoje parece ser desafiador, digo: Sempre faço as coisas passionalmente, mas pelo caminho que a minha cabeça escolhe. Então é comum levar tempo, o difícil é ser paciente.
Permito-me a partilhar do prazer contido de constatar que perdi o medo do difícil, o que é tão doce. Eu odiaria ver um nome na pilha de "quase deu certo". Quando se tem a essência, tudo muda. Se eu pudesse ter uma segunda pele, provavelmente já sei no que espelharia. Lamentarei, assim, pelos que vão embora cedo, pelos que se contentam antes do final, pelos satisfeitos com o ameno. Descobri que quando não parece ter sentido algum... Ah, aí é onde está todo o sentido.
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